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Lô Borges: descubra o legado do tênis que se tornou um símbolo da MPB

Créditos da imagem: Reprodução/Cafi

Em 1972, um par de tênis desgastados marcou um momento importante na história da música brasileira. Ele é o protagonista da capa do álbum solo de estreia de Lô Borges, que foi lançado no mesmo ano do renomado “Clube da Esquina”. Intitulado apenas “Lô Borges”, mas carinhosamente conhecido como o “Disco do Tênis”, este projeto foi gravado quando o artista ainda tinha 20 anos, destacando-se como uma das vozes mais criativas da nova cena musical mineira.

A concepção da capa foi uma ideia original de Lô. Cansado com a rotina intensa de gravações, ele optou por não posar para fotos e sugeriu que a imagem de seu tênis cotidiano fosse utilizada. A fotografia foi realizada por Cafi, o artista pernambucano que também criou a famosa capa do “Clube da Esquina”.

Em uma entrevista ao programa “O Som do Vinil” do Canal Brasil, Lô compartilhou que se sentia exausto e não queria mais saber de estúdio ou sessões fotográficas. “A única foto que aparece de mim está na contracapa, e nela estou sentado e mal-humorado. Queria voltar para Belo Horizonte, sentir o colo da minha mãe. Então, sugeri que fotografassem o tênis que eu usava e pedi: ‘coloque essa imagem. É a melhor representação de mim e do que pretendo fazer, que é seguir meu caminho após a finalização deste disco’”, revelou.

Logo após a gravação, ele realmente seguiu viagem: deixou Belo Horizonte em direção a Arembepe, na Bahia, onde viveu um período de introspecção e liberdade. Curiosamente, Lô só apresentou o “Disco do Tênis” ao vivo 45 anos após seu lançamento, durante uma turnê que percorreu o Brasil, com arranjos originais recriados pela banda de Pablo Castro.

Um tênis com uma rica história
O calçado que se tornou emblema da contracultura mineira não era originalmente de Lô. Em uma conversa com o jornal O TEMPO, seu irmão Yé Borges revelou que o par pertencia a Sérgio, um primo da família que morava em Brasília. Yé recorda que se interessou pelo tênis e fez uma troca por alguns itens pessoais. Ao retornar a BH, Lô ficou com ele. Com o falecimento de Lô em 2 de novembro, o “tênis da capa” voltou a ser assunto entre os fãs, embora, segundo Yé, ele já não exista há bastante tempo.

Novas obras à vista
Yé Borges também contou ao jornal O TEMPO que Lô deixou um acervo inédito. Quatro álbuns já finalizados, sendo dois deles mixados, devem ser lançados no futuro. Para o irmão de Lô, essas obras não podem permanecer guardadas. “Precisamos compartilhar, pois há genialidades que ele criou. Precisamos conversar com o produtor dele para que possamos fazer esses lançamentos”, concluiu.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade