A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou uma nota técnica com recomendações para reduzir os impactos à saúde causados pela poluição atmosférica decorrente de queimadas e incêndios florestais registrados em municípios da Amazônia nas últimas semanas. O documento apresenta medidas voltadas à população e a diferentes ambientes, como locais de trabalho, residências, escolas, unidades prisionais e serviços de saúde.
Segundo a instituição, a qualidade do ar na região foi fortemente afetada pela presença de fumaça, com concentrações de material particulado fino, conhecido como MP2.5, muito acima dos valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A exposição a esse tipo de poluente é uma preocupação de saúde pública, especialmente diante da possibilidade de a fumaça alcançar áreas distantes dos locais onde as queimadas ocorrem.
Fumaça pode ser transportada para localidades distantes
A nota técnica explica que as queimadas e os incêndios florestais liberam uma mistura de gases e partículas na atmosfera. Transportados pelo vento, esses poluentes podem atingir municípios que não estão próximos dos focos de incêndio, ampliando a área afetada pela degradação da qualidade do ar.
Entre os componentes da fumaça, o documento destaca o material particulado fino, formado por partículas com diâmetro aerodinâmico igual ou inferior a 2,5 micrômetros. Devido ao tamanho reduzido, o MP2.5 pode penetrar profundamente nos pulmões. A exposição está associada ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares, o que reforça a necessidade de medidas de proteção individual e coletiva durante períodos de intensa poluição atmosférica.
Os pesquisadores também alertam que a situação pode aprofundar vulnerabilidades e desigualdades socioambientais e sanitárias que já existem na região. Por isso, a nota defende o fortalecimento das ações destinadas a proteger a população, considerando tanto os cuidados imediatos quanto o planejamento de respostas para o médio e o longo prazo.
Orientações abrangem diferentes ambientes
O material reúne informações sobre os indicadores de poluição do ar, os efeitos da exposição à fumaça e as providências recomendadas para diminuir os riscos à saúde. As orientações incluem cuidados individuais, medidas para trabalhadores e recomendações aplicáveis às residências.
Também são apresentadas diretrizes para a proteção em ambientes internos e para instituições de ensino, unidades prisionais e serviços de saúde. O documento ainda contempla recomendações destinadas a gestores públicos, com a definição de prioridades para a resposta imediata e para a organização de medidas de médio e longo prazo.
A abrangência das recomendações considera que a fumaça pode afetar diferentes espaços de convivência e atendimento à população. Dessa forma, a proteção não se limita a ações individuais, mas envolve a adoção de providências por instituições e autoridades responsáveis por ambientes onde há circulação ou permanência de pessoas.
Documento foi elaborado por pesquisadores da Fiocruz
A nota técnica foi produzida por uma rede de pesquisadores do Grupo de Trabalho (GT) Qualidade do Ar, integrante do Programa Saúde, Ambiente e Sustentabilidade, o FioProsas. O programa está vinculado à Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz).
As recomendações foram fundamentadas nas evidências científicas disponíveis, na legislação brasileira e nas orientações da OMS e de organismos internacionais especializados. O documento também considera os princípios do Global Framework for Action: Advancing Healthy Indoor Air through Societal Engagement and Market Transformation, elaborado pela Global Commission on Healthy Indoor Air, iniciativa vinculada ao International WELL Building Institute (IWBI).
A nota técnica da Fiocruz pode ser acessada na íntegra.