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Paraná inicia implantação do Método Wolbachia em Cascavel, Ponta Grossa, Cambé e Londrina

Quatro municípios do Paraná iniciaram, em outubro, a implantação do Método Wolbachia, estratégia de controle das arboviroses conduzida pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde e operada pela Wolbito do Brasil junto às prefeituras. A tecnologia utiliza exemplares do mosquito Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, presente naturalmente em diversas espécies de insetos e capaz de reduzir a transmissão dos vírus da dengue, da zika e da chikungunya.

O microrganismo impede que esses vírus se desenvolvam no organismo do mosquito, diminuindo sua capacidade de transmitir as doenças. A iniciativa integra as ações nacionais de enfrentamento às arboviroses da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde e está alinhada às Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle das Arboviroses Urbanas.

Cascavel terá soltura durante 26 semanas

Em Cascavel, a implantação começou com a expectativa de beneficiar 215.318 moradores, o equivalente a 57% da população do município, distribuídos em 17 bairros. A soltura dos mosquitos será feita gradualmente ao longo de 26 semanas, com liberações semanais e controladas realizadas por agentes de saúde treinados e capacitados.

Ao todo, estão previstos 6.073 Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs) na cidade. Os equipamentos recebem cápsulas com ovos e ração. Quando entram em contato com a água, os materiais permitem o desenvolvimento dos insetos diretamente nos pontos definidos para a liberação.

O anúncio da implantação em Cascavel foi realizado em 19 de outubro. Participaram do evento o prefeito Renato Silva; o secretário de Saúde, Ali Hassan Haidar; a secretária de Meio Ambiente, Beatriz Bertoglio; a diretora da Vigilância, Rosane Campiol; a gerente da Vigilância em Saúde Ambiental, Clair Wagner; os assessores técnicos da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz Daniel Daipert e Jorge Costa; e Tamila Kleine, coordenadora de Operações da Wolbito do Brasil.

Ponta Grossa instala núcleo de produção

Em Ponta Grossa, o Método Wolbachia começou a ser implantado no dia 20, com o início da operação de um núcleo de produção. A estrutura é destinada ao desenvolvimento dos chamados Wolbitos, desde a fase de ovo até a etapa adulta.

Depois de liberados, os mosquitos com Wolbachia se reproduzem com os insetos locais e transmitem a bactéria às gerações seguintes. Com o passar do tempo, a expectativa é formar uma população de mosquitos com capacidade reduzida de transmitir as arboviroses.

Após análises técnicas que consideraram a concentração de mosquitos e o número de casos registrados no município nos últimos meses, foram selecionados mais de 5,3 mil pontos para receber as liberações nas 26 semanas seguintes.

O início das atividades foi marcado por um anúncio em frente ao núcleo de produção de Wolbitos, localizado no bairro Jardim Paraíso. Estiveram presentes a prefeita Elizabeth Schmidt; a secretária de Saúde, Liliam Brandalise; o diretor de Vigilância em Saúde, Cleber Flores; o vereador Léo Farmacêutico, representante da Câmara Municipal; a médica veterinária do município, Priscila Ferreira; o pesquisador da Fiocruz Diogo Chalegre; e o gerente de Manufatura da Wolbito do Brasil, Antonio Brandão.

Londrina terá mais de 1 milhão de mosquitos liberados

Em Londrina, a previsão é de que mais de 1 milhão de Wolbitos sejam liberados gradualmente durante 26 semanas. Seis equipes da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde participarão da operação, com visitas semanais a 3.890 pontos previamente definidos.

A ação deverá beneficiar diretamente 151.715 pessoas em 47 bairros. A implantação começará pelas regiões que registraram os maiores índices de casos de dengue. Londrina também conta com um núcleo de produção de Wolbitos.

A apresentação técnica do método foi feita por Tamila Klein, coordenadora de Implementação da Wolbito do Brasil, e por Nino Ribas, gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde de Londrina. O evento contou ainda com a participação do secretário de Saúde do Paraná, César Neves; do pesquisador da Fiocruz Diogo Chalegre; do assessor técnico da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fundação, Daniel Daipert; e do secretário municipal de Governo, Leonardo Carneiro, que representou o prefeito Tiago Amaral e o prefeito de Cambé, Conrado Scheller.

A implantação nos municípios paranaenses é resultado da cooperação entre as prefeituras, as secretarias estadual e municipais de Saúde, o Ministério da Saúde, a Fiocruz e a Wolbito do Brasil.

Monitoramento acompanha presença da bactéria

O estabelecimento dos mosquitos com Wolbachia em cada município é acompanhado por meio de ovitrampas, armadilhas utilizadas para medir a presença dos insetos na área. Pesquisas de eficácia indicam que, quanto maior a proporção de mosquitos com a bactéria no ambiente, menores tendem a ser os números de casos de dengue, zika e chikungunya.

Em Niterói, no Rio de Janeiro, onde a tecnologia cobre todo o território municipal, a redução dos casos de dengue chegou a 89%. A expectativa é de que, ao longo dos meses, a presença da Wolbachia aumente de maneira autossustentável.

Antes das liberações, equipes da Wolbito, da Fiocruz e das prefeituras realizam ações informativas e educativas em escolas, unidades de saúde, espaços públicos e associações comunitárias. Também estão previstas campanhas em rádios e televisões locais, redes sociais, mídias impressas e rodas de conversa com moradores. O objetivo é explicar o funcionamento do método e seus possíveis impactos.

A tecnologia não utiliza produtos químicos e não altera geneticamente os mosquitos. O método é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e apresenta resultados positivos em diferentes países.

Estudos científicos apontam ainda que os mosquitos mantêm a bactéria de forma estável na população mesmo oito anos após as primeiras liberações. Atualmente, o Método Wolbachia está presente em 16 cidades brasileiras e protege mais de 8 milhões de pessoas. A expansão inclui outros municípios indicados pelo Ministério da Saúde que estão em fase de implementação.

No Paraná, além de Cascavel, Ponta Grossa, Cambé e Londrina, que iniciaram recentemente a implantação, Foz do Iguaçu e Curitiba já realizaram a soltura dos Wolbitos.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade