A receita bruta da Oncoclínicas registrou uma redução significativa no segundo trimestre de 2023, impactada pelo desabastecimento de medicamentos em suas unidades durante o período. Segundo o balanço divulgado pela empresa nesta sexta-feira, 14 de outubro, a receita totalizou R$ 1,227 bilhão entre abril e junho, representando uma queda de R$ 430 milhões, ou 25,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa redução reflete o impacto direto do desabastecimento de medicamentos, que afetou o volume de tratamentos realizados e, consequentemente, a receita da companhia.
A análise do desempenho financeiro da Oncoclínicas revela que, em uma base de cálculo de longo prazo (LTM), a receita acumulada caiu 15,8%, atingindo R$ 5,7 bilhões. A empresa atribui essa queda principalmente aos meses de março e abril, quando o problema de abastecimento foi mais pronunciado. A normalização do fornecimento ocorreu após a obtenção de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) no valor de R$ 150 milhões, que ajudou a mitigar parcialmente os efeitos do desabastecimento no trimestre.
De acordo com a companhia, a redução no volume de compras de medicamentos durante esse período impactou diretamente a receita bruta e o número de tratamentos realizados. A empresa destacou que essa diminuição, quando comparada a dados históricos, reflete uma queda significativa na quantidade de tratamentos realizados, o que, por sua vez, afetou o desempenho financeiro.
Além do impacto na receita bruta, a receita líquida do trimestre também apresentou forte retração. A soma de R$ 1,047 bilhão representa uma redução de R$ 416,5 milhões, ou 28,5%, em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa queda está relacionada, em parte, ao aumento nas provisões para créditos de liquidação duvidosa (PCLD), que tiveram efeito sobre o resultado financeiro da companhia no trimestre.
O impacto do desabastecimento de medicamentos evidencia os desafios enfrentados pelo setor de saúde, especialmente em segmentos sensíveis como o de oncologia, onde a continuidade do tratamento é fundamental. A recuperação do fornecimento de medicamentos, aliada à gestão eficiente de recursos, será crucial para a retomada do crescimento da receita da Oncoclínicas nos próximos períodos.