O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a integrar as condições climáticas ao seu planejamento estratégico para as Eleições Gerais de 2026, reconhecendo a influência de eventos extremos no processo eleitoral. Essa iniciativa visa antecipar e mitigar riscos relacionados a fenômenos como chuvas intensas, enchentes, deslizamentos, secas e queimadas, que podem comprometer desde o deslocamento de eleitores até a logística de votação, incluindo o acesso às urnas, transporte de materiais e funcionamento dos sistemas de comunicação.
Para isso, o TSE ampliou a articulação com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e outras instituições parceiras, criando a Sala Nacional de Situação Climática. Essa estrutura centraliza informações sobre as condições meteorológicas e recursos hídricos em diferentes regiões do país, convertendo esses dados em subsídios para o planejamento eleitoral. A iniciativa busca identificar áreas de maior vulnerabilidade e elaborar mapas de risco, boletins técnicos e recomendações específicas, além de definir locais de votação alternativos e rotas de transporte emergencial.
A estratégia vai além de garantir a instalação das urnas nos locais previstos, considerando que eventos climáticos adversos podem afetar estradas, dificultar o deslocamento de mesários, impedir a chegada de materiais e prejudicar as comunicações. Assim, o planejamento inclui ações para assegurar o funcionamento adequado das zonas de votação e toda a operação logística do pleito.
Os TREs, por sua experiência territorial, continuam responsáveis pelo planejamento local, contribuindo com informações sobre as condições das vias, pontos de votação e vulnerabilidades específicas de cada região. O TSE realiza reuniões com tribunais de todo o país para receber planos de contingência e dados sobre riscos, possibilitando uma visão antecipada das áreas que poderão demandar reforço logístico ou maior coordenação interinstitucional.
Segundo William Akerman, diretor de Assuntos Estratégicos do TSE, a estrutura foi criada para fortalecer a capacidade de resposta diante de situações excepcionais, complementando a atuação dos tribunais regionais. Ele destacou que a rede de cooperação interinstitucional visa garantir eleições mais seguras, transparentes e inclusivas, mesmo diante de eventos climáticos severos, reforçando a gestão do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do tribunal.
O monitoramento climático é realizado em parceria com órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), além de entidades ligadas ao sistema de justiça e defesa pública, como o Tribunal Superior do Trabalho (TST), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública da União (DPU), as defensorias estaduais, o Condege (Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Geraes) e a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep). Essas parcerias visam garantir que informações sobre riscos climáticos sejam utilizadas para orientar decisões operacionais, como a avaliação de acessibilidade e a necessidade de rotas alternativas.
A formalização dessa rede de apoio ocorreu por meio de acordos de cooperação técnica firmados pelo TSE com entidades como a DPU, a Anadep, o Condege, a OAB e o TST. Esses instrumentos facilitam o compartilhamento de recursos, infraestrutura, veículos oficiais e informações, possibilitando ações preventivas e contingenciais. A mobilização pode ocorrer de forma preventiva, com ações planejadas antes de eventos extremos, ou de forma contingencial, em resposta a situações já em curso que ameaçam a normalidade do processo eleitoral.
O objetivo do TSE é usar informações antecipadas para reduzir impactos de eventos climáticos, garantindo a continuidade das atividades eleitorais e a integridade do pleito. Essa abordagem visa incorporar os riscos ambientais ao planejamento das eleições de 2026, que envolverão milhões de eleitores e diferentes realidades geográficas em todo o Brasil.
No domingo, dia 4 de novembro de 2026, data prevista para o primeiro turno, há previsão de chuva em toda a região Sul, com possibilidade de temporais, ventania e granizo, especialmente no Rio Grande do Sul, onde um sistema frontal associado a um ciclone extratropical deve atingir o estado. No Centro do país, incluindo Sudeste, Centro-Oeste e parte do Norte, o clima deve permanecer abafado e instável devido à influência de frentes frias anteriores, enquanto o Nordeste e o extremo norte continuarão sob forte incidência de sol e calor intenso.