A presidente do Federal Reserve (Fed) de Cleveland, Beth Hammack, afirmou nesta quinta-feira, 13 de outubro, durante evento na Câmara do Comércio de Dayton Area, que é essencial tomar medidas de forma urgente para que a inflação nos Estados Unidos seja trazida de volta à meta de 2%. Ela destacou que, atualmente, não há uma tensão significativa relacionada ao duplo mandato do banco central, observando que o mercado de trabalho permanece relativamente estável, com a taxa de desemprego oscilando em torno do nível considerado compatível com o pleno emprego.
Hammack ressaltou que a inflação permanece acima do objetivo do Fed há mais de cinco anos, mesmo após a melhora observada no período pós-pandemia. Naquele momento, a inflação, que chegou a superar 7%, recuou para abaixo de 3%, mas recentes choques de mercado fizeram os preços voltarem a superar essa marca. Segundo ela, esse cenário reforça a necessidade de intervenção rápida para evitar que o processo de desinflação se prolongue, o que poderia acarretar custos adicionais para famílias e empresas.
A dirigente do Fed avaliou que a política monetária, atualmente, não aparenta ser particularmente restritiva. Ela citou relatos de empresas que continuam dispostas a captar empréstimos para investir, especialmente impulsionadas pela construção de infraestrutura relacionada à inteligência artificial. Essa demanda, na visão de Hammack, pode gerar pressões inflacionárias adicionais, demandando uma postura mais firme do banco central para evitar superaquecimento da economia.
Além disso, Hammack abordou as incertezas que envolvem o cenário externo e fatores que podem impactar a inflação, como tarifas comerciais, choques de energia e problemas nas cadeias de suprimentos, incluindo questões relacionadas ao Estreito de Ormuz. Ela também destacou preocupações com a estabilidade financeira, apontando três áreas de atenção: o crescimento do crédito privado, ou seja, empréstimos concedidos por fundos fora do sistema bancário tradicional, que apresenta menor transparência; vulnerabilidades no mercado de Treasuries, diante de uma trajetória fiscal considerada “insustentável” e do uso de alavancagem; e o volume de capital destinado à inteligência artificial, que pode gerar ciclos de euforia semelhantes aos observados em outros momentos de alta especulação, caso as expectativas de rentabilidade não se concretizem.
Em síntese, a presidente do Fed reforçou a urgência de ações coordenadas para conter a inflação persistente nos Estados Unidos, ressaltando que o cenário atual exige atenção redobrada às condições econômicas internas e externas, bem como aos riscos de instabilidade financeira associados a fatores diversos, incluindo o avanço tecnológico e os desequilíbrios fiscais.