Os proprietários da Fazenda do Pires, local onde se encontra a Mina da Fábrica, que sofreu um extravasamento no final de janeiro, acionaram a Justiça para reforçar a solicitação de bloqueio de R$ 1 bilhão das contas da Vale. A intenção é assegurar que a mineradora reserve fundos suficientes para a compensação dos danos ambientais causados.
Além disso, a ação judicial requer a suspensão imediata de todas as atividades mineradoras ligadas ao complexo afetado pelo vazamento. O argumento apresentado é que as operações estão interligadas e que a retomada parcial poderia aumentar o risco sistêmico da situação.
Conforme laudos preliminares, o material que escapou da mina impactou o Córrego Água Santa e o Rio Maranhão, um afluente significativo do Rio Paraopeba, que é crucial para o abastecimento de uma parte considerável da região metropolitana de Belo Horizonte.
Ao solicitar a urgência no julgamento da ação, o advogado Cristiano Volpe ressalta o histórico da Vale na área. “Nos últimos anos, Minas Gerais tem enfrentado tragédias ambientais e humanas sem precedentes, com o colapso de barragens que resultaram em perdas de vidas, destruição de comunidades e danos irreparáveis ao meio ambiente”, afirma.
O incidente na mina de Ouro Preto ocorreu exatamente sete anos após a tragédia de Brumadinho, quando a barragem da Mina Córrego do Feijão, também pertencente à Vale, rompeu, liberando mais de 12 milhões de toneladas de rejeitos de minério de ferro. Esse desastre resultou na morte de 270 pessoas, considerando 272 se incluídas as gestantes.
Na última sexta-feira (6/2), a Justiça de Minas Gerais indeferiu o pedido da Advocacia-Geral do Estado para o bloqueio de R$ 1 bilhão da Vale, alegando que essa solicitação é prematura, uma vez que ainda não foi realizado um levantamento sobre os danos e as indenizações a serem pagas.
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