A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou uma revisão na projeção de queda na demanda global por petróleo para 2026, indicando que a retração deve ser maior do que o inicialmente previsto. Segundo o relatório divulgado nesta quarta-feira, 12 de outubro, as tensões no Oriente Médio, especialmente o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, têm impactado significativamente a oferta e os preços dos combustíveis, resultando em uma redução maior do consumo mundial de petróleo do que o estimado anteriormente.
A entidade, que reúne países ocidentais e aliados, agora prevê que o consumo global de petróleo cairá 1,6 milhão de barris por dia (bpd) em 2026, frente à estimativa anterior de uma redução de 1 milhão de bpd. Para o ano de 2023, a demanda deve encolher 2,8 milhões de bpd no terceiro trimestre, após uma queda de 4,9 milhões de bpd no segundo trimestre, antes de retomar uma trajetória de crescimento nos últimos três meses do ano. Apesar de a velocidade de retração estar diminuindo, as interrupções persistentes no fornecimento continuam pressionando o mercado no curto prazo.
A previsão da AIE aponta que o mercado global operará com um déficit de aproximadamente 1,8 milhão de bpd no terceiro trimestre, mais que o dobro do déficit estimado anteriormente, que era de cerca de 800 mil bpd. Essa situação é agravada pela restrição no mercado de derivados, que elevou as margens de refino na Bacia do Atlântico a níveis recordes em julho, devido à demanda sazonal por diesel, querosene de aviação e gasolina, que enfrentaram escassez de oferta e estoques reduzidos.
O relatório destaca que o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo, interrompe cadeias globais de abastecimento e diminui a disponibilidade de derivados, elevando os preços dos combustíveis e exercendo pressão adicional sobre o consumo. “Preços elevados de combustíveis estão impondo pressão adicional de baixa sobre o consumo de petróleo”, afirmou a agência.
Em julho, a oferta global de petróleo aumentou 2,4 milhões de bpd, atingindo 101,5 milhões de bpd, porém ainda permanece 6,3 milhões de bpd abaixo do nível do mesmo período do ano anterior, com cerca de 8,3 milhões de bpd de produção no Golfo do México ainda paralisados devido às tensões na região. As exportações regionais, incluindo rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, recuaram 2,1 milhões de bpd, totalizando 15 milhões de bpd, com embarques que oscilaram de 20 milhões de bpd no início de julho para aproximadamente 12 milhões de bpd posteriormente.
Para o ano de 2026, a AIE estima que a oferta mundial encolherá 4,3 milhões de bpd, uma revisão para cima em relação à previsão anterior de uma redução de 3,7 milhões de bpd. Apesar da expectativa de que o mercado possa retornar ao superávit próximo ao final do próximo ano, a agência alerta que os riscos permanecem elevados, especialmente diante da necessidade urgente de reabertura do Estreito de Ormuz, cuja continuidade de bloqueio esgota rapidamente os estoques globais de petróleo.
Os estoques mundiais de petróleo sofreram uma redução significativa em julho, cerca de 2,2 milhões de bpd, principalmente devido à diminuição do volume de petróleo armazenado no mar. No fim do mês, os estoques totais ficaram abaixo de 7,9 bilhões de barris, o menor nível desde abril de 2025. A recuperação da demanda, prevista para 2027, deve ser impulsionada pela normalização das cadeias de suprimento, queda nos preços do petróleo e crescimento econômico global mais robusto, estimado em 3,4%, aumento de meio ponto porcentual em relação ao ano anterior.
Na mesma perspectiva, a produção global deve crescer aproximadamente 8,3 milhões de bpd, liderada por um aumento de 5,8 milhões de bpd na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus aliados, além de um avanço de 2,5 milhões de bpd por produtores fora do grupo, conforme a previsão da AIE.
No cenário de preços, o petróleo apresentou alta nesta quarta-feira, após uma semana de estabilidade, mesmo com as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz avançando lentamente. O aumento nos preços ocorre em um contexto de tensões geopolíticas, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçando o uso de sanções e do bloqueio naval como estratégias de pressão contra o Irã. O controle do estreito, por onde passava cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente, tornou-se um foco central de conflito, especialmente diante da ameaça do movimento Houthi, apoiado pelo Irã no Iêmen, que também colocou em risco a navegação saudita no Mar Vermelho, uma rota alternativa utilizada pela Arábia Saudita para contornar Ormuz.