O governo federal lançará a campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, com o tema “Conectadas, Seguras e Vivas”. A mobilização ocorrerá de 20 de novembro a 10 de dezembro e reunirá iniciativas de enfrentamento à violência, promoção da autonomia econômica feminina, combate ao racismo e prevenção do feminicídio.
A campanha foi anunciada nesta quinta-feira (5) pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante sua participação no programa Bom Dia, Ministra. Segundo a ministra, a programação terá alcance nacional e deverá envolver governos estaduais e municipais tanto na definição quanto na realização das atividades previstas para os 21 dias.
A proposta é ampliar o debate sobre a violência contra as mulheres para além da resposta aos casos já registrados. A mobilização também deverá tratar de fatores relacionados à segurança, à independência financeira, à educação, ao trabalho e à participação da sociedade na prevenção das agressões.
Márcia Lopes afirmou que a iniciativa pretende considerar as diferentes dimensões da vida das mulheres e reforçar que o enfrentamento da violência não é responsabilidade exclusiva dos órgãos especializados. Para a ministra, a atuação conjunta entre União, estados, municípios e sociedade é necessária para fortalecer a prevenção e a proteção.
“Estamos estimulando que cada estado e município se envolva nisso. Estamos falando de todas as dimensões da vida das mulheres e o quanto a sociedade tem responsabilidade nisso”, declarou.
Medidas de proteção serão anunciadas durante a mobilização
Durante o período da campanha, o Ministério das Mulheres pretende oficializar medidas destinadas ao acolhimento e à segurança feminina no território nacional e nas fronteiras. A pasta não apresentou todos os detalhes das ações, mas informou que elas farão parte de uma estratégia voltada ao fortalecimento da proteção oferecida às mulheres.
De acordo com a ministra, a construção de políticas públicas de proteção também precisa considerar as condições econômicas enfrentadas pelas mulheres. A possibilidade de ter renda, acesso ao trabalho e oportunidades de educação foi apontada como elemento importante para ampliar a capacidade de decisão e reduzir situações de vulnerabilidade.
Nessa frente, o Ministério das Mulheres mantém parceria com outras pastas do governo federal por meio de programas como o Acredita e o Mulheres Mil. As iniciativas estão relacionadas ao estímulo à autonomia econômica e deverão integrar o esforço de mobilização proposto pelo governo.
O ministério também pretende incentivar estados e municípios a produzirem diagnósticos estruturados sobre a situação econômica das mulheres. A partir desse levantamento, as administrações locais poderão identificar necessidades e orientar ações relacionadas à geração de renda, ao acesso ao trabalho e à formação profissional.
Ministra destaca crescimento da bancada feminina
Durante a entrevista, Márcia Lopes também avaliou o resultado das Eleições 2026 para a representação feminina no Congresso Nacional. Segundo ela, o número de mulheres na bancada federal aumentou de 91 para 109, considerando conjuntamente a Câmara dos Deputados e o Senado.
A ministra reconheceu que mulheres consideradas importantes não foram eleitas, mas classificou o resultado geral como um avanço para a presença feminina no Legislativo. Ela também destacou a eleição de mulheres negras e jovens, que, em sua avaliação, poderão ampliar a participação política e atuar contra posições machistas, misóginas e conservadoras ainda existentes no cenário nacional.