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Alertas de bomba desviam ou submetem a inspeções ao menos 15 voos na Europa

Ao menos 15 voos foram desviados, realizaram pousos de emergência ou passaram por inspeções de segurança nesta quinta-feira (5), após ameaças de bomba em diferentes pontos da Europa. As ocorrências envolveram aeronaves das companhias Ryanair, Aer Lingus, Wizz Air, Finnair e LOT Polish Airlines, entre outras. Nenhum dos aviões apresentou explosivos ou materiais suspeitos nas verificações realizadas até o momento, e todas as aeronaves conseguiram pousar com segurança.

Os alertas atingiram operações relacionadas a Itália, Irlanda, Reino Unido, Espanha, Bulgária, Romênia, Polônia, Finlândia, Áustria, Dinamarca, Bélgica, Portugal, Grécia e República Tcheca. A quantidade de ocorrências e a distribuição dos casos por diferentes países provocaram suspeitas de que os episódios possam fazer parte de uma ação coordenada para afetar o transporte aéreo europeu.

As autoridades, entretanto, ainda não identificaram os responsáveis pelas ameaças. Também não há confirmação de que qualquer uma das aeronaves tenha transportado explosivos. As inspeções realizadas após os pousos não localizaram dispositivos ou outros objetos que representassem risco.

Aeronaves com destino à Bulgária foram desviadas

Na Bulgária, dois aviões da Ryanair precisaram fazer pousos de emergência em Sófia. Um deles havia saído de Copenhague, na Dinamarca, enquanto o outro partira de Madri, na Espanha. Os dois voos tinham a capital búlgara como destino original.

Uma terceira aeronave da Ryanair também teve a rota alterada. O avião havia decolado de Londres com destino a Sófia, mas foi encaminhado para Plovdiv, a segunda maior cidade da Bulgária. Após a aterrissagem, equipes especializadas vistoriaram as aeronaves envolvidas. Como nenhuma irregularidade foi encontrada, os aeroportos de Sófia e Plovdiv retomaram as operações normalmente.

Outro desvio ocorreu na França. Um avião da Aer Lingus, que voava de Dublin, na Irlanda, para Roma, na Itália, foi levado à base aérea militar de Évreux-Fauville, no norte do território francês. Já uma aeronave da Wizz Air que fazia o trajeto entre Milão e Varsóvia pousou em Viena, na Áustria, em razão do alerta.

Em Malpensa, aeroporto de Milão, também foram inspecionados um avião da Ryanair vindo do Porto, em Portugal, e uma aeronave da Aegean Airlines que havia partido de Tessalônica, na Grécia.

Polícia encerra buscas no aeroporto de Praga

A lista de voos afetados inclui ainda um avião da LOT Polish Airlines que seguia de Varsóvia para Bruxelas. Dois voos da Finnair, ambos originados em Helsinque, com destinos em Roma e Viena, também foram submetidos a medidas de segurança.

Além dessas ocorrências, quatro voos de outras companhias aéreas que tinham Praga, na República Tcheca, como destino passaram por procedimentos de inspeção. A polícia tcheca informou que as buscas no aeroporto da capital foram concluídas por equipes especializadas em explosivos, sem a localização de material perigoso.

Os casos registrados nesta quinta-feira ocorreram depois de outros sete aviões terem sido desviados ou revistados por causa de falsos alertas de bomba. Na segunda-feira (2), um voo que havia partido do Reino Unido em direção à Bulgária também precisou mudar de rota após receber uma ameaça que, aparentemente, não tinha fundamento.

Empresas analisam credibilidade dos alertas

A decisão de alterar o trajeto de um avião não depende apenas da confirmação da presença de explosivos. As companhias precisam avaliar a credibilidade da ameaça e definir quais medidas preventivas serão adotadas. Segundo Martin Drake, ex-piloto e consultor técnico do sindicato britânico de pilotos Balpa, as empresas mantêm equipes responsáveis por classificar os alertas conforme o risco identificado.

Dependendo dessa análise, o voo pode continuar para o destino previsto, passar por uma inspeção extra antes da decolagem ou ser direcionado ao aeroporto mais próximo. Embora os desvios gerem custos e causem impactos na operação, eles são considerados necessários quando a ameaça é vista como potencialmente crível.

Incidentes alimentam hipótese de ação coordenada

A série de ameaças também levou analistas a considerar a possibilidade de uma ação de guerra híbrida. O termo é usado para descrever estratégias de pressão e desestabilização que podem combinar recursos como ataques cibernéticos e interrupções de serviços.

Os alertas contra os aviões ocorreram na mesma semana em que sistemas de refrigeração de supermercados europeus foram alvo de ataques cibernéticos. Analistas discutiram a possibilidade de os episódios estarem relacionados a ações associadas a interesses de governos estrangeiros, incluindo Rússia e Irã. Até agora, porém, não foram apresentadas provas de que esses países estejam envolvidos nas ameaças contra as aeronaves.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, chamou de absurdas as acusações de participação da Rússia nos ataques cibernéticos contra os sistemas de refrigeração.

Rhys Jones, analista da empresa de inteligência aeronáutica Osprey Flight Solutions, avaliou que os alertas parecem ter alguma relação entre si, embora não sigam um padrão geográfico definido. Para ele, mesmo sem a presença de explosivos, falsos avisos podem interromper voos, aumentar a apreensão dos passageiros e obrigar as equipes de segurança a mobilizar recursos.

As autoridades ainda não confirmaram a autoria das ameaças nem estabeleceram uma ligação comprovada entre os diferentes episódios registrados em aeroportos europeus.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade