O Brasil apresenta tendência de alta nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) relacionados ao metapneumovírus, ao rinovírus e à Covid-19. O cenário consta no novo Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (5/11) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com base nos registros da Semana Epidemiológica 43, entre 25 e 31 de outubro.
O crescimento das notificações de SRAG provocada pelo metapneumovírus está distribuído principalmente pelos estados das regiões Sudeste, Sul e Nordeste. São Paulo e Rio de Janeiro aparecem entre os estados do Sudeste com aumento. Na Região Sul, a elevação foi observada em Santa Catarina e no Paraná. Já no Nordeste, o avanço alcança Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe.
As crianças pequenas continuam apresentando os maiores níveis de incidência de SRAG. Nesse grupo, os registros estão associados sobretudo à circulação do rinovírus, do vírus sincicial respiratório (VSR) e do metapneumovírus. O rinovírus também foi o agente mais relacionado às mortes por vírus respiratórios entre as crianças, segundo os dados analisados pelo boletim.
Casos graves de Covid-19 avançam em cinco unidades da Federação
O InfoGripe identificou sinais de crescimento de SRAG associada ao coronavírus em Mato Grosso do Sul, no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Apesar da tendência de alta, a incidência de casos graves por Covid-19 permanece em níveis muito baixos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.
Em Mato Grosso, a elevação da SRAG está principalmente ligada ao Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19. No Mato Grosso do Sul, por sua vez, o aumento observado está relacionado a uma leve alta nas infecções por rinovírus.
Roraima, Sergipe e Santa Catarina apresentam incidência de SRAG classificada nos níveis de alerta, risco ou alto risco. Entretanto, o levantamento não apontou sinal de crescimento na tendência de longo prazo nesses três estados.
Entre as capitais, Aracaju e João Pessoa também estão em situação de alerta, risco ou alto risco nas duas semanas mais recentes avaliadas. As cidades, localizadas respectivamente em Sergipe e na Paraíba, registram ainda crescimento na tendência de longo prazo, calculada com base nas seis semanas anteriores até a Semana Epidemiológica 42.
Rinovírus lidera resultados positivos e mortes entre os vírus respiratórios
Na análise das quatro últimas semanas epidemiológicas, o rinovírus foi responsável por 50,1% dos resultados positivos para vírus respiratórios. O VSR apareceu em seguida, com 10,1% dos casos, enquanto o Sars-CoV-2 respondeu por 8,5%. A influenza B representou 4,7% dos resultados e a influenza A, 4,2%.
O rinovírus também concentrou a maior proporção dos óbitos de pessoas que tiveram resultado positivo para vírus respiratórios no mesmo intervalo, com 43% das mortes. O Sars-CoV-2 correspondeu a 24,1% dos registros. Na sequência, aparecem influenza B, com 12,7%, VSR, com 3,8%, e influenza A, com 1,3%.
Desde o início do ano epidemiológico de 2026, foram notificados 171.369 casos de SRAG. Em 91.420 ocorrências, equivalentes a 53,3% do total, houve confirmação laboratorial de algum vírus respiratório. Outros 62.823 casos, ou 36,7%, tiveram resultado negativo. Pelo menos 7.457 notificações, correspondentes a 4,4%, ainda estavam sem resultado no momento da análise.
Entre os casos positivos registrados em 2026, 38,7% foram atribuídos ao vírus sincicial respiratório e 33,5% ao rinovírus. A influenza A respondeu por 15,5%, a influenza B por 5,5% e o Sars-CoV-2 por 3,9%.
Idosos concentram maior taxa de mortalidade
O boletim aponta que, nas últimas oito semanas, a incidência e a mortalidade média semanal por SRAG continuam concentradas nos extremos das faixas etárias, mas com impactos diferentes. Crianças de até 2 anos apresentam a maior incidência da síndrome, enquanto as maiores taxas de mortalidade são observadas entre pessoas com 65 anos ou mais.
A incidência de SRAG provocada pela Covid-19 permanece baixa em todas as faixas etárias. Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pela produção do InfoGripe, destacou que a vacinação continua sendo a principal medida de prevenção contra casos graves e mortes pela doença. A orientação é que as pessoas integrantes dos grupos prioritários mantenham o esquema vacinal atualizado.
A Fiocruz ressalva que os indicadores referentes às oito semanas mais recentes ainda podem ser revisados, à medida que novos dados sejam incorporados ao sistema de acompanhamento.