As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, ampliaram a presença do Partido Democrata no Congresso e foram interpretadas como um sinal de desgaste do presidente Donald Trump. Realizadas na metade do período presidencial, as disputas renovam parte do Legislativo e funcionam como uma avaliação indireta do governo federal pelos eleitores.
O resultado alterou a correlação de forças políticas em Washington e indicou que a oposição democrata teria maioria no Congresso pelos dois anos seguintes, até o fim do mandato presidencial. Com isso, a administração republicana passaria a enfrentar mais obstáculos para aprovar propostas de interesse do Poder Executivo, especialmente em temas considerados controversos.
O processo eleitoral norte-americano tem diferenças relevantes em relação ao sistema brasileiro. Nos Estados Unidos, os cidadãos podem votar por meio de urna eletrônica, cédulas de papel ou pelo correio. Também variam as regras relacionadas à formação do Congresso e ao método de escolha do presidente da República.
Câmara e Senado tiveram regras distintas de renovação
Todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes foram colocados em disputa. A Casa corresponde, em termos de função legislativa, à Câmara dos Deputados no Brasil. Seus integrantes são eleitos para mandatos de dois anos, razão pela qual todas as cadeiras são renovadas tanto nas eleições gerais realizadas no começo de um mandato presidencial quanto nas eleições de meio de mandato.
No Senado, a dinâmica é diferente. A instituição tem 100 parlamentares, cada um com mandato de seis anos. Aproximadamente um terço das vagas é submetido aos eleitores a cada dois anos. Nesta eleição, 35 cadeiras foram disputadas.
Como os mandatos dos senadores não terminam ao mesmo tempo em todos os estados, 15 unidades não escolheram novos representantes para o Senado em 3 de novembro. A lista inclui Arizona, Califórnia, Connecticut, Havaí, Indiana, Maryland, Missouri, Nevada, Nova York, Dakota do Norte, Pensilvânia, Utah, Vermont, Washington e Wisconsin.
Desempenho democrata refletiu baixa aprovação presidencial
As eleições legislativas de meio de mandato costumam ser influenciadas pela avaliação do presidente em exercício. Em cenários de insatisfação com o governo federal, é comum que parte dos eleitores apoie candidatos do partido adversário como forma de expressar oposição à administração.
Donald Trump pertence ao Partido Republicano, uma das duas principais forças políticas dos Estados Unidos, ao lado do Partido Democrata. Embora existam legendas como o Partido Verde e o Partido Libertário, ambas têm participação reduzida no Congresso.
O avanço democrata confirmou uma tendência apontada pelas pesquisas de opinião realizadas antes da votação. Nos meses que antecederam as eleições, a aprovação do governo Trump permanecia abaixo de 30%, enquanto os índices de desaprovação se situavam na faixa de 60%.
A nova composição do Congresso poderia restringir a margem de manobra do governo em assuntos como a imposição de tarifas contra outros países e a guerra contra o Irã. O Legislativo também exerce funções decisivas na aprovação do orçamento e na criação ou modificação de leis.
Além disso, o Congresso participa da confirmação de indicados para a Suprema Corte, para o Gabinete Presidencial e para o comando de agências federais, entre elas o FBI e a CIA. Os parlamentares ainda têm a decisão final sobre o envio de recursos destinados ao reforço militar de países envolvidos em guerras e sobre a declaração de guerra contra outra nação.
Disputas estaduais ampliaram o alcance das eleições
As midterms também envolveram eleições e consultas em nível estadual. Dos 50 estados norte-americanos, 36 escolheram novos governadores. O calendário, porém, não é uniforme em todo o país, pois cada estado estabelece suas próprias regras eleitorais.
Nova Jersey e Virginia, por exemplo, haviam realizado eleições para governador em 2025 e só voltariam a escolher novos ocupantes do cargo em 2029. As diferenças entre as legislações estaduais também definem quais cargos aparecem nas cédulas e quais consultas públicas são submetidas à população.
No Kansas, os eleitores votaram para deputado, senador, governador, secretário de Estado, procurador-geral, tesoureiro e comissário de Seguros. No Missouri, estado vizinho, a cédula incluía disputas para auditor estadual, deputado e representantes estaduais, função equivalente à de deputado estadual no Brasil.
Os eleitores dos dois estados também participaram de consultas públicas. A cédula do Kansas apresentou uma questão, enquanto a do Missouri reuniu oito consultas.