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Painel amplia consulta a projeções de temperatura e chuvas em cenários de aquecimento global

Ferramenta integra o AdaptaBrasil, plataforma que reúne indicadores de risco climático para os 5.570 municípios brasileiros, considerando fatores como ameaças climáticas, exposição e vulnerabilidade (Paulo Pinto/Agência Brasil)

O governo federal e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) apresentaram, na terça-feira (3), uma nova ferramenta do AdaptaBrasil para avaliar como diferentes níveis de aquecimento global podem alterar as temperaturas e o regime de chuvas no Brasil e em outros países da América Latina nas próximas décadas. A plataforma reúne mapas, indicadores climáticos e projeções associadas à ocorrência de eventos extremos.

A novidade integra o AdaptaBrasil, sistema criado para concentrar informações sobre riscos climáticos nos 5.570 municípios brasileiros. A ferramenta considera, de forma conjunta, as ameaças relacionadas ao clima, o grau de exposição das localidades e suas condições de vulnerabilidade. Com esse cruzamento de informações, é possível identificar os municípios mais sujeitos aos impactos das mudanças climáticas.

Os dados disponibilizados pelo sistema também podem orientar a definição de medidas de adaptação e apoiar o planejamento de políticas públicas. A proposta é oferecer informações que ajudem diferentes setores a avaliar riscos e a estruturar respostas diante das possíveis alterações nas condições climáticas.

Projeções podem ser comparadas em quatro níveis de aquecimento

Com a atualização, o AdaptaBrasil passou a disponibilizar mapas baseados em quatro cenários de elevação da temperatura média global: 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C. A consulta permite comparar a distribuição geográfica das mudanças previstas em temperatura e precipitação à medida que o aquecimento do planeta se intensifica.

Além de indicar possíveis variações nas temperaturas e no volume ou regime das chuvas, os mapas reúnem indicadores relacionados a eventos extremos. A comparação entre os cenários permite observar diferenças entre níveis distintos de aquecimento e avaliar como as ameaças climáticas podem se manifestar em diferentes áreas do território analisado.

Durante o lançamento, o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, afirmou que a adaptação climática é tratada pelo governo federal como uma agenda prioritária, estratégica e transversal. Segundo ele, a atualização do Plano Clima e a elaboração de um plano de adaptação mais robusto envolvem 16 planos setoriais e temáticos.

Melo disse que a intenção é converter a agenda climática em medidas concretas voltadas ao desenvolvimento do país. O secretário também relacionou esse trabalho ao enfrentamento de vulnerabilidades socioeconômicas históricas, que, conforme afirmou, vêm sendo agravadas pela presença cada vez mais evidente dos efeitos da mudança do clima e pelos desafios impostos às políticas de desenvolvimento de diferentes setores.

Informações devem apoiar o planejamento de medidas de adaptação

O coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas da Cruz, destacou que o AdaptaBrasil fornece informações fundamentais para o início do planejamento de ações de adaptação. Na avaliação dele, conhecer as possíveis condições climáticas futuras é uma etapa necessária antes da definição de estratégias para enfrentar os impactos projetados.

Christian Miziara, gerente de soluções da RNP, apontou como um dos diferenciais do painel a possibilidade de reunir, em uma única interface, a comparação entre os cenários de aquecimento. Segundo ele, os usuários podem consultar indicadores de temperatura e precipitação e acompanhar como as ameaças climáticas tendem a se comportar conforme aumenta a temperatura média global.

Para Jean Ometto, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as projeções climáticas ocupam posição central no cálculo de riscos e no planejamento de medidas de resposta. Ele reconheceu a existência de incertezas nos dados, mas afirmou que a ciência trabalha para apresentar informações cada vez mais claras, robustas e transparentes, capazes de subsidiar decisões.

Plataforma deverá incorporar novas variáveis

A apresentação do painel foi conduzida pelo pesquisador do INPE Gilvan Sampaio. Ele explicou que a ferramenta está em sua primeira versão e foi desenvolvida com foco em uma navegação simples. De acordo com o pesquisador, o instituto também avalia a possibilidade de permitir o download de dados climáticos por área e por bioma.

As próximas versões poderão incluir variáveis como umidade relativa, vento e radiação. A ampliação dos dados pretende atender grupos de pesquisa, pesquisadores, diferentes usuários e a população, aumentando o acesso a informações confiáveis sobre as mudanças do clima e seus possíveis efeitos.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade