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Democratas assumem controle do Senado e da Câmara dos EUA após eleições de meio de mandato

(Jonossoff/Instagram/Reprodução)

O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump, que perdeu o controle do Legislativo na metade de seu mandato e agora terá de negociar com a oposição para avançar sua agenda.

No Senado, os democratas alcançaram 54 das 100 cadeiras, ultrapassando os 51 assentos necessários para garantir a maioria. Até a manhã desta quarta-feira (4), os republicanos haviam conquistado 44 vagas, enquanto outras duas disputas ainda aguardavam definição.

A legenda também avançou na Câmara dos Representantes. Os democratas obtiveram 228 cadeiras, acima das 218 necessárias para alcançar a maioria absoluta. Os republicanos somavam 139 assentos, e outros 68 resultados permaneciam pendentes na atualização mais recente.

Na Câmara, os democratas conseguiram virar pelo menos 25 cadeiras que estavam sob controle republicano. As mudanças ocorreram em distritos eleitorais de mais de dez estados. No Senado, o partido elegeu 20 representantes, incluindo sete vitórias em disputas nas quais os candidatos republicanos eram apontados como favoritos.

Trump afirma que pretende negociar, mas promete vetar propostas

Depois da confirmação da maioria democrata nas duas Casas, Trump afirmou, em entrevista ao jornal americano The New York Times, que estava disposto a trabalhar com integrantes do partido adversário.

“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, declarou o presidente. Segundo ele, o governo deverá buscar acordos com a oposição. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, acrescentou.

A declaração ocorreu depois de o presidente ter colocado em dúvida, dias antes da votação, a possibilidade de reconhecer uma eventual derrota. Na ocasião, Trump afirmou que só aceitaria os resultados caso as eleições fossem “limpas”.

Apesar da disposição anunciada para negociar, o republicano também indicou que pretende usar o poder de veto para bloquear propostas apresentadas pelos democratas. Após os primeiros resultados negativos para seu partido, Trump publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”.

A publicação reforçou declarações feitas anteriormente pelo presidente sobre sua estratégia diante de um eventual controle democrata do Congresso. “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, afirmou Trump em entrevista ao podcast Pod Force One, do jornal New York Post.

O presidente disse que pretende barrar inicialmente os projetos apresentados pelos adversários e, depois, negociar acordos. “Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, declarou.

Democratas vencem disputas importantes em estados conservadores

A vitória democrata também foi marcada por resultados expressivos em estados historicamente conservadores. Candidatos apoiados por Trump foram derrotados em disputas consideradas relevantes para o equilíbrio político do país.

No Texas, James Talarico venceu Ken Paxton. Na Carolina do Sul, Annie Andrews superou Darline Graham. As duas derrotas representaram reveses para os republicanos, que contavam com o apoio político do presidente para manter as posições nos estados.

Trump havia apoiado Paxton nas primárias republicanas do Texas, mesmo diante de alertas de lideranças do próprio partido sobre as dificuldades do candidato em uma eleição geral. Na Carolina do Sul, o presidente também havia manifestado apoio a Graham.

Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, ampliando as perdas do partido em um estado tradicionalmente favorável aos conservadores. Trump visitou Ohio repetidas vezes para fazer campanha por Husted.

Os democratas também conquistaram uma cadeira na Carolina do Norte e mantiveram posições disputadas em New Hampshire e na Geórgia. Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff foi reeleito após derrotar o deputado Mike Collins.

Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e conquistou a vaga que será deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu se aposentar. Outros democratas garantiram a reeleição com facilidade, entre eles Cory Booker, em Nova Jersey; Ed Markey, em Massachusetts; e John Hickenlooper, no Colorado.

Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para substituir Dick Durbin. O conjunto dos resultados ampliou a presença democrata no Congresso e reduziu a capacidade de Trump de aprovar projetos sem estabelecer negociações com a oposição.

Eleições renovam parcialmente o Congresso americano

Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato são realizadas a cada dois anos nos Estados Unidos, sempre na metade do período presidencial. Diferentemente do sistema brasileiro, o Congresso americano passa por uma renovação parcial a cada dois anos.

Os deputados da Câmara dos Representantes têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis anos. Por esse motivo, em cada eleição legislativa, todas as 435 cadeiras da Câmara são disputadas, além de aproximadamente um terço das vagas do Senado.

Neste ano, estavam em disputa todos os assentos da Câmara e 35 das 100 cadeiras do Senado. Com a vitória democrata nas duas Casas, o resultado altera o equilíbrio de forças em Washington e impõe ao governo Trump a necessidade de negociar com o partido oposicionista para conduzir sua agenda legislativa.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade