O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) mantém atendimento ininterrupto para pessoas com suspeita ou confirmação de mpox no estado do Rio de Janeiro. O serviço funciona 24 horas por dia, durante toda a semana, na Avenida Brasil, 4.365, na capital fluminense, com equipes diferentes conforme o horário e o dia da procura.
Nos dias úteis, entre 8h e 16h, o atendimento é feito pelo Setor de Ambulatório do INI/Fiocruz. Fora desse intervalo, incluindo o período noturno, a madrugada, os fins de semana e os feriados, os pacientes são recebidos pelo plantão do Centro Hospitalar do instituto. A unidade é referência da Fundação Oswaldo Cruz na assistência a doenças infecciosas e emergentes.
O movimento registrado nos últimos meses indica a continuidade da procura pelo serviço. Desde setembro de 2026, 113 pessoas foram atendidas pelo INI/Fiocruz com diagnóstico confirmado de mpox. Em outubro, o instituto recebeu 130 pessoas que apresentavam suspeita da infecção. Desse grupo, 89 tiveram o diagnóstico confirmado por exames laboratoriais.
Em 3 de novembro, outros 33 exames ainda estavam em processamento. As informações foram divulgadas pelo Serviço de Vigilância em Saúde do Instituto, responsável pelo acompanhamento dos atendimentos e dos resultados relacionados à doença.
Instituto identifica circulação de dois clados no estado
Além do número de casos, o INI/Fiocruz monitora as linhagens do vírus que circulam no Rio de Janeiro. Entre os pontos de atenção está a presença do Clado Ib, grupo associado a surtos registrados recentemente em países do continente africano.
A primeira identificação do Clado Ib no município do Rio de Janeiro ocorreu em março de 2026, em uma pessoa atendida pelo instituto. Depois dessa detecção, não houve crescimento expressivo dos diagnósticos nos meses seguintes. O cenário passou a ser acompanhado com maior atenção entre setembro e outubro, quando foram analisados dados de 62 pessoas com informações disponíveis sobre o clado responsável pela infecção.
Desse total, 43 pacientes apresentaram infecção pelo Clado Ib, enquanto 19 tiveram diagnóstico relacionado ao Clado IIb. Os registros mostram, portanto, que os dois clados estão circulando simultaneamente no contexto epidemiológico atual do Rio de Janeiro. A identificação das linhagens ajuda as equipes de saúde a acompanhar a evolução da doença e a avaliar as características da transmissão no estado.
Contato direto com lesões é a principal forma de transmissão
A transmissão da mpox ocorre principalmente por contato próximo e direto com lesões presentes na pele ou nas mucosas de uma pessoa infectada. No Brasil, o contato sexual tem sido a forma predominante de transmissão, mas o contágio também pode acontecer em outras situações nas quais exista contato com lesões ativas.
As manifestações da doença incluem lesões cutâneas que podem surgir em diferentes regiões do corpo, inclusive nas áreas genital e anal. Também podem ocorrer febre, aumento dos linfonodos e dor retal. A presença e a intensidade dos sintomas variam, e nem todas as pessoas infectadas apresentam o mesmo conjunto de sinais.
Em geral, a evolução é favorável, com recuperação espontânea. Entretanto, a mpox pode provocar complicações e quadros graves, principalmente entre pessoas com imunossupressão, crianças e gestantes. O reconhecimento dos sintomas, a busca rápida por avaliação médica e o acompanhamento profissional são importantes para confirmar a infecção e observar a evolução do quadro.
Cuidados devem ser adotados diante de lesões suspeitas
Pessoas que identificarem lesões suspeitas devem procurar um serviço de saúde para avaliação clínica e coleta de material para análise laboratorial. Até que a situação seja esclarecida, é recomendado evitar contato íntimo e direto com outras pessoas. Quando a proximidade for inevitável, a orientação é usar máscara e manter as lesões cobertas sempre que possível.
A necessidade de isolamento domiciliar e o tempo de duração dessa medida devem ser definidos pelos profissionais de saúde, levando em conta as condições clínicas de cada paciente e as providências necessárias para reduzir o risco de transmissão durante a recuperação.
A vacinação integra as estratégias de prevenção contra a mpox. O uso de preservativos pode diminuir o risco de transmissão em relações sexuais, mas não oferece proteção total, porque as lesões podem estar localizadas em áreas do corpo que não são cobertas pelo preservativo.
Ainda não há um tratamento específico, comprovadamente eficaz e estabelecido para uso rotineiro em todas as pessoas com mpox. O acompanhamento clínico, no entanto, é necessário para controlar os sintomas, acompanhar a evolução da infecção e detectar precocemente possíveis complicações.
O INI/Fiocruz oferece assistência 24 horas para casos suspeitos da doença no Rio de Janeiro desde 2022. O atendimento permanece concentrado na Avenida Brasil, 4.365. Das 8h às 16h, em dias úteis, os pacientes devem ser encaminhados ao Setor de Ambulatório. Nos demais períodos, o atendimento é realizado pelo plantão do Centro Hospitalar do instituto.