Um jogo sobre a investigação de parasitos encontrados em cães com leishmaniose conquistou o primeiro lugar na primeira edição do Prêmio Ciência ao Vivo, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A proposta foi desenvolvida pela doutoranda Julia Fernandes Barbosa dos Santos e pela mestranda Natália dos Santos Lemos, ambas do Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A premiação ocorreu durante as celebrações da Semana da Educação na Fiocruz.
O Prêmio Ciência ao Vivo foi criado para incentivar pós-graduandos da Fundação a apresentarem seus trabalhos científicos de maneira criativa, breve e acessível. A iniciativa busca aproximar a produção acadêmica do público, utilizando formatos capazes de informar e mobilizar pessoas que não necessariamente têm familiaridade com a linguagem científica.
Julia e Natália foram orientadas pelo pesquisador Vitor Ennes Vidal, do Laboratório de Bioquímica de Tripanosomatídeos. Para apresentar o projeto Investigação de parasitos encontrados em cães com leishmaniose, relacionado à pesquisa de doutorado de Julia, as estudantes desenvolveram uma atividade inspirada no jogo Scotland Yard, conhecido por desafiar os participantes a solucionar um caso a partir de pistas e investigações.
Na dinâmica criada pelas estudantes, uma veterinária suspeita que três cães estejam infectados com leishmaniose. No entanto, o tratamento aplicado não apresenta o resultado esperado. A partir desse ponto, os jogadores precisam analisar as informações disponíveis, seguir as pistas e investigar o caso até descobrir o que está acontecendo.
Segundo Julia, a escolha do formato teve como objetivo transformar a divulgação científica em uma experiência participativa. “A proposta é transformar a divulgação científica em uma experiência divertida e participativa, na qual o público assume o papel de investigador e aprende enquanto brinca”, afirmou a estudante.
O jogo foi apresentado em formato online. A expectativa das autoras é aprimorar a atividade para que ela possa ser utilizada em futuras ações de divulgação científica. A estratégia permite apresentar um tema relacionado à pesquisa sobre parasitos e leishmaniose de forma interativa, sem abandonar o conteúdo científico abordado no projeto.
Outros trabalhos foram premiados
Ao todo, 15 finalistas foram selecionados entre os inscritos para participar da sessão de apresentações realizada em 16 de novembro. O segundo lugar ficou com Ana Lívia Carvalho da Silva, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Ela apresentou uma performance sobre implante coclear, estigma, identidade e participação social.
A terceira colocação foi conquistada por Maximiliano Pedro Albino, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). Em uma apresentação musical, ele abordou o autismo, o apoio às famílias em Angola e a cooperação com o Brasil.
A premiação foi organizada pelo Centro de Apoio ao Discente (CAD) da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz (Vpeic/Fiocruz), em parceria com a Associação de Pós-Graduandos do Rio de Janeiro (APG-RJ).
A comissão responsável pela escolha dos finalistas e vencedores foi presidida por Marly Cruz, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz. Também participaram Isabella Delgado, coordenadora-geral de Educação da Fundação; Juliana Baena, pós-graduanda de Biomanguinhos e representante estudantil; Beatriz Alvez Velho, representante da área de Gestão e Divulgação Científica; Rachel Paterman, quadrinista e doutora em antropologia, representante da área artística e cultural; e Daniel Oliveira, professor do Programa de Formação em Língua Inglesa e representante docente.
O evento também contou com uma premiação concedida pelo júri popular. A plateia presente escolheu Leonardo Salomoni de Araújo, da Ensp/Fiocruz, que apresentou o cordel Resistência aos antibióticos, uso racional e descarte de medicamentos.