O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (28) que não pretende se envolver na controvérsia provocada por uma carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), na qual o parlamentar se declarou o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de meia hora depois, Flávio alterou a expressão e passou a se apresentar como “líder do país”.
Questionado por jornalistas, Trump confirmou que os Estados Unidos concederam autorização de entrada no país para Flávio Bolsonaro e sua família. Apesar de dizer que não faria comentários sobre a carta, o presidente norte-americano voltou a manifestar desconfiança em relação ao processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas para sustentar a afirmação.
“Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, declarou Trump.
A manifestação ocorreu depois que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos. Em uma carta divulgada após a saída do país, o senador agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, e a Trump pelo apoio recebido para conseguir deixar o território brasileiro.
O documento chamou atenção principalmente pela forma como Flávio se referiu à própria posição política. Na versão inicial da carta, o senador afirmou ser o “verdadeiro presidente eleito do país”. Aproximadamente 30 minutos mais tarde, porém, houve uma mudança no texto, e o termo “presidente eleito” foi substituído por “líder do país”.
A alteração ocorreu no mesmo contexto em que Trump foi questionado sobre o caso e sobre a autorização concedida para a entrada de Flávio e de seus familiares nos Estados Unidos. O presidente norte-americano separou os dois assuntos ao afirmar que não comentaria o conteúdo da carta, mas confirmou a concessão dos vistos.
Mesmo evitando uma manifestação direta sobre a declaração do senador brasileiro, Trump classificou a eleição brasileira como “muito estranha”. A fala retomou questionamentos anteriores sobre o processo eleitoral no Brasil, embora o presidente dos Estados Unidos não tenha apresentado evidências para fundamentar a desconfiança mencionada.
A carta de Flávio também registrou agradecimentos a Milei e Trump pelo apoio relacionado à sua saída do Brasil. A divulgação do documento e a posterior mudança na forma de se definir provocaram repercussão, especialmente porque a primeira versão apresentava o senador como o “verdadeiro presidente eleito”, enquanto a versão seguinte adotava uma descrição diferente, de “líder do país”.