A Bolsa de Valores de Nova York está se preparando para o que pode ser um dos maiores IPOs da história, o da empresa de inteligência artificial Anthropic, cuja estreia no mercado pode ocorrer já em novembro, segundo informações do Wall Street Journal. A expectativa é de que a companhia, que vem sendo considerada uma das principais no setor de IA, possa levantar até 100 bilhões de dólares, elevando sua avaliação a aproximadamente 2 trilhões de dólares, o que a colocaria entre as dez empresas mais valiosas do mundo.
O anúncio do possível IPO ocorre após a Anthropic ter protocolado, de forma confidencial, seu pedido de abertura de capital em junho passado, gerando grande expectativa no mercado financeiro e tecnológico. Caso concretizado, o IPO da Anthropic superaria o da SpaceX, que em 2020 levantou cerca de 86 bilhões de dólares em seu processo de oferta pública, avaliada na ocasião em 1,77 trilhão de dólares. Assim, a Anthropic poderia se tornar uma das maiores ofertas de ações já realizadas, consolidando seu papel de destaque no segmento de IA.
Entretanto, o percurso até o lançamento do IPO tem sido marcado por obstáculos e incertezas. Nos últimos meses, a empresa e seus executivos têm enfrentado questionamentos relacionados à regulamentação de inteligência artificial e aos riscos associados à segurança dos sistemas desenvolvidos. Recentemente, ex-funcionários e o CEO Dario Amodei levantaram preocupações sobre o avanço descontrolado da tecnologia, impulsionando um movimento setorial por uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento de IA para melhor gerenciamento dos riscos potenciais.
Na semana passada, líderes do setor tecnológico, incluindo Amodei, assinaram um acordo na Casa Branca com o objetivo de promover uma autorregulação do desenvolvimento de IA. Apesar dessas iniciativas, o ambiente de mercado se tornou mais adverso devido às condições econômicas globais, com aumento das taxas de juros, alta dos rendimentos de títulos e instabilidade provocada por fatores geopolíticos, como a guerra no Irã. Essas circunstâncias têm elevado os custos de captação de recursos e dificultado a realização de novos IPOs.
Diversas empresas de tecnologia e energia, como a Oura, fabricante de anéis de monitoramento de saúde vestíveis, e a Holtec Nuclear, especializada em energia nuclear, anunciaram o adiamento de seus planos de abertura de capital, citando a incerteza do mercado. A OpenAI, concorrente direta da Anthropic, também anunciou que postergará sua estreia na bolsa para o próximo ano, devido às preocupações com a segurança da inteligência artificial. Analistas apontam que o cenário macroeconômico mais amplo, com taxas de juros elevadas e instabilidade econômica, contribui para uma maior hesitação por parte dos investidores.
Ainda assim, a Anthropic mantém seus planos de captação de recursos e de entrada no mercado de ações. Caso consiga arrecadar os 100 bilhões de dólares e seja avaliada em 2 trilhões, seu IPO poderá ultrapassar o recorde da SpaceX, consolidando-se como uma das maiores ofertas públicas de todos os tempos. Especialistas destacam que, apesar do otimismo, o mercado de IPOs de tecnologia enfrenta dificuldades devido às condições econômicas atuais, que impactam as avaliações e o apetite dos investidores.
A empresa, que tem uma forte presença no desenvolvimento de modelos avançados de IA, constrói sua receita principalmente ao alugar seus sistemas, como o modelo de linguagem Claude, para grandes corporações. Apesar de registrar um prejuízo de 42 bilhões de dólares em 2025, a Anthropic projeta alcançar lucro pelo segundo trimestre consecutivo neste ano, sustentando sua estratégia de expansão e inovação. Seus planos de investimento incluem mais de 500 bilhões de dólares em computação e infraestrutura nos próximos anos, de acordo com a Reuters.
Segundo o analista de tecnologia Angelo Zino, da CFRA Research, a demanda pelos produtos da Anthropic e sua potencial lucratividade a colocam em uma categoria diferenciada, mesmo diante das dificuldades de mercado. A expectativa é de que o interesse dos investidores seja elevado, dada a forte valorização do setor de IA, que tem impulsionado máximas históricas nas ações nos últimos anos. Contudo, especialistas alertam que o sucesso do IPO dependerá da execução do modelo de negócios e da capacidade da empresa de manter sua competitividade frente às crescentes preocupações de segurança e regulamentação.