O índice Ibovespa apresentou queda nesta quarta-feira, refletindo as expectativas do mercado em relação às futuras decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, além da divulgação do IBC-Br, indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Até as 12h14, o principal índice da bolsa brasileira cedia 0,31%, operando aos 185.996 pontos. Na sessão anterior, o Ibovespa fechou em alta, aos 186.502,64 pontos, impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras, após o petróleo internacional registrar uma valorização de quase 3% na véspera. O volume financeiro negociado até o momento atingiu aproximadamente R$ 22 bilhões.
No mercado de câmbio, o dólar começou a tarde em queda frente ao real, após dados do Banco Central indicarem uma retração na atividade econômica brasileira em julho. Na mesma janela de tempo, o dólar à vista (BRBY) caiu 0,23%, cotado a R$ 5,1399 na venda, enquanto na véspera a moeda fechou com alta de 0,10%, a R$ 5,1543. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas consideradas fortes, registrou leve avanço de 0,11%, chegando a 99,71 pontos. O contrato de dólar futuro para outubro (DOLc1), o mais líquido no mercado brasileiro, também apresentou baixa de 0,14%, cotado a R$ 5,1645.
Durante a manhã, o Banco Central realizou seu leilão de rolagem de swap cambial tradicional, ofertando 50 mil contratos com vencimento em 1º de outubro, estratégia comum para conter a volatilidade do dólar. Paralelamente, o mercado de petróleo observou uma queda nos preços dos contratos futuros, com o Brent recuando para US$ 105 por barril, uma baixa de mais de 3%, após relatos de que a Arábia Saudita estaria oferecendo cargas adicionais de petróleo via Omã, o que amenizou preocupações sobre uma possível interrupção no fornecimento global. O WTI também caiu cerca de 3,6%, cotado a US$ 101,96 por barril.
A queda do petróleo impactou negativamente ações de empresas do setor, especialmente Petrobras, cujas ações ordinárias e preferenciais caíram mais de 3% no mesmo horário. A Vale, por sua vez, apresentou uma leve retração de 0,36%, em contramão do movimento de alta do minério de ferro na China, que fechou com alta de 0,14%, cotado a 709 iuanes (equivalente a aproximadamente US$ 105,73) por tonelada.
No setor financeiro, o Itaú Unibanco registrou uma baixa de 0,68%, interrompendo as altas observadas no pregão anterior. O mercado aguarda a decisão do Federal Reserve, prevista para às 15h (horário de Brasília), sobre uma possível elevação dos juros nos Estados Unidos, a primeira desde 2023, em um aumento de 0,25 ponto percentual. A expectativa é motivada pela persistente inflação elevada e pelo aumento dos custos globais de financiamento, o que pode marcar uma mudança na política monetária do banco central norte-americano sob a liderança do presidente Kevin Warsh.
No cenário doméstico, o Banco Central deve anunciar, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) antes das eleições presidenciais de outubro, uma quinta redução consecutiva na taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual. Segundo o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (14), o mercado financeiro acredita que esse será o último corte de juros neste ano.
Na economia brasileira, o Banco Central divulgou há pouco os dados do IBC-Br referentes a julho, indicando uma retração de 0,20% na atividade econômica em relação ao mês anterior. Economistas consultados pela Reuters previam uma queda de 0,10%. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o índice apresentou alta de 1,1%, enquanto o acumulado em 12 meses passou a registrar um crescimento de 1,5%, considerando números não dessazonalizados.
Por fim, o mercado ainda digere o julgamento ocorrido na véspera no Supremo Tribunal Federal (STF), que adiou a decisão final sobre a possibilidade de união ou não das análises de um relatório da Polícia Federal, que apontou mensagens supostamente trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro da corte Alexandre de Moraes. A sessão também não definiu o pedido de Moraes, que acusa o colega André Mendonça de abuso de autoridade e improbidade administrativa.