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“Desilusões amargas: a realidade dos franqueados da Cacau Show”

Hugo Barreto/Metrópoles

Muitas histórias semelhantes emergem, começando com a atração irresistível da maior rede de chocolates do Brasil, a promessa de um negócio próspero e a euforia de realizar um sonho. Contudo, essa ilusão logo se desfaz com a chegada das primeiras cobranças, taxas e multas que não foram mencionadas inicialmente. Aditivos contratuais e novos preços para os produtos se tornam rotina. Para tentar manter suas operações, os franqueados investem em mais produtos, na esperança de aumentar as vendas e obter lucros. No entanto, surgem dívidas impagáveis com a franqueadora, muitas vezes garantidas por bens pessoais como casas e carros, levando a um verdadeiro pesadelo.

A coluna ouviu relatos de diversos franqueados, a maioria optando pelo anonimato devido ao medo de represálias. Além de estarem endividados com a Cacau Show, muitos se veem presos a um ciclo sem saída, onde sair significa assumir dívidas exorbitantes ou abrir mão de seus bens. O contrato ainda estabelece a interferência da Cacau Show na venda de lojas falidas, controlando quem pode se tornar um novo franqueado.

Irene Angelis, uma ex-franqueada que esteve no negócio por quase dez anos, observa um padrão preocupante. “Parece que quanto mais franqueados falirem, mais lojas serão repassadas, gerando taxas e juros para a franqueadora. Isso se tornou uma indústria. Eles lucram enquanto deixam um rastro de pessoas arruinadas”, afirma Irene, que chegou a ter seis lojas da rede.

Ela descreve o impacto devastador em sua vida. “É um rastro de pessoas doentes, que perderam suas casas, que não conseguem dormir, com sérios problemas psicológicos. Eu mesma desenvolvi síndrome do pânico e insuficiência cardíaca, além de ter perdido R$ 3 milhões”, conta.

“Quando você entra, tudo parece perfeito. Porém, com o tempo, o contrato muda, e você se vê preso, sem possibilidade de sair. Você já investiu seu dinheiro”, lamenta.

À medida que a ilusão vai se desvanecendo, muitos franqueados buscam ajuda, mas em vez de receberem suporte prático, são submetidos a discursos motivacionais vazios. Uma franqueada relatou que, ao procurar uma consultora, foi aconselhada a “se benzer”, como se o problema fosse exclusivo dela.

Outra franqueada compartilha que, após investir suas economias em uma loja da Cacau Show e trabalhar incessantemente por três anos, acabou atolada em dívidas e emocionalmente esgotada. “Perdi a vontade de viver, me sinto uma morta-viva”, desabafa. Ela envolveu toda a sua família no projeto, mas quando as dificuldades começaram, não aceitou a realidade, acreditando que seu empenho poderia reverter a situação.

A franqueada, que enfrenta uma dívida de R$ 750 mil, expressa seu desespero: “Não sei como vou conseguir quitar isso. Sinto medo e vergonha.”

Em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul não levaram a Cacau Show a alterar suas regras ou cobranças. Uma franqueada, que viu sua loja ser devastada, procurou auxílio, mas recebeu apenas cobranças. “Perdi tudo, desde chocolates até móveis. Fui cobrada por toda mercadoria destruída, incluindo royalties e taxas, sem qualquer desconto”, revela.

Ela tentou negociar sua saída, mas foi surpreendida com mais negativas. “Essa franquia é desumana. Além das perdas financeiras, a saúde mental e física é comprometida. Pra mim, é quase uma pirâmide, uma organização criminosa que depende de novos franqueados para se sustentar. O foco está em extorquir, cobrando taxas e multas. Eles promovem uma cultura de medo, onde ninguém pode falar mal ou se opor”, critica.

A coluna destacou que o ambiente entre os franqueados da Cacau Show é comparado a uma “seita”, com punições para aqueles que questionam as práticas da empresa. Alexandre Tadeu da Costa, conhecido como Alê Costa, fundador e CEO da Cacau Show, é a figura central nesse contexto.

A realidade enfrentada por muitos franqueados é distante da imagem positiva que Alê Costa promove em suas aparições nas redes sociais e na mídia. Quando expressam suas preocupações sobre cobranças e alterações nos valores, são frequentemente retaliados, recebendo produtos de baixa qualidade, o que pode inviabilizar seus negócios.

O juiz Julio Roberto dos Reis apontou que as políticas da Cacau Show podem contrariar a liberdade profissional constitucional, restringindo o crédito para fornecimento de produtos essenciais, em um ato que parece mais vingança do que qualquer justificativa válida.

Descontentes, franqueados criaram uma página nas redes sociais chamada “Doce Amargura” para compartilhar suas experiências. A fundadora, que ainda é franqueada, decidiu usar um pseudônimo por medo de retaliações. No entanto, ela foi abordada pelo vice-presidente da Cacau Show, Túlio Freitas, que lhe perguntou “o que era necessário” para que ela deixasse de expor suas insatisfações. Agora, ela busca judicialmente a rescisão de seu contrato.

Após a divulgação das reclamações, a Cacau Show publicou uma nota negando as alegações do perfil “Doce Amargura”, afirmando que é uma marca baseada na confiança e no respeito mútuo com seus franqueados. A empresa defendeu que as visitas de Túlio Freitas às lojas visam fortalecer o relacionamento e entender as necessidades do negócio.

“Não compactuamos com qualquer conduta que contrarie nossos valores. Nosso objetivo é compartilhar momentos especiais com as pessoas”, conclui a nota.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade