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Funcionários dos Correios iniciam greve por tempo indeterminado após impasse nas negociações salariais

•Divulgação/Correios

Os empregados dos Correios anunciaram nesta quinta-feira, 10 de novembro, uma greve por tempo indeterminado, decisão aprovada em assembleias realizadas pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) em diversas regiões do país. A paralisação teve início às 22 horas do mesmo dia e representa uma etapa mais radical na campanha salarial da categoria, que até então vinha buscando um acordo com a empresa e o governo federal.

De acordo com a Findect, o movimento grevista foi motivado pelo fracasso nas negociações salariais, além de divergências em relação às condições do plano de saúde dos trabalhadores. Um dos principais pontos de impasse é a proposta dos Correios de alterar a condição de mantenedora do plano de saúde, ou seja, a responsabilidade financeira, administrativa e estrutural pelo benefício, que atualmente é gerenciado pela própria empresa. A entidade sindical afirma que essa mudança ameaça a manutenção do benefício e reforça a necessidade de mobilização dos funcionários para pressionar por uma solução que preserve direitos e benefícios.

A entidade sindical destacou que, com a greve deflagrada, o foco agora é ampliar a mobilização, fortalecer a organização nas unidades de trabalho e cobrar uma resposta efetiva da direção dos Correios e do governo federal. Segundo a Findect, a categoria exige uma proposta que garanta a preservação dos direitos trabalhistas, a proteção do plano de saúde e o respeito àqueles que mantêm a funcionamento da empresa em todo o Brasil diariamente.

A reportagem da CNN Brasil entrou em contato com os Correios para obter um posicionamento oficial, mas o espaço permanece aberto para futuras manifestações da empresa. A paralisação ocorre em um momento em que os Correios estão implementando um plano de reestruturação financeira, que visa melhorar a sustentabilidade da estatal até 2027. Parte desse plano inclui medidas de corte de despesas, aumento de receitas, captação de recursos e venda de ativos imobiliários.

O projeto de reestruturação, divulgado pelos Correios, prevê uma redução de despesas de aproximadamente R$ 4,2 bilhões anuais, além de uma expectativa de aumento de receitas em torno de R$ 1,7 bilhão por ano. Para alcançar esses objetivos, a empresa planeja realizar um Programa de Demissão Voluntária (PDV), renegociar contratos e passivos, promover mudanças no plano de saúde dos funcionários e fechar algumas unidades de atendimento.

Os números financeiros da estatal evidenciam o momento difícil pelo qual passa a empresa. Os Correios encerraram o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, marcando o quarto resultado negativo consecutivo desde 2021. No primeiro semestre de 2026, a situação se agravou, com um prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões registrado até junho, reforçando a necessidade de medidas de ajuste econômico e financeiro.

A greve por tempo indeterminado evidencia o descontentamento dos trabalhadores diante do cenário de crise financeira, que inclui ainda a tentativa de implementar mudanças que podem afetar direitos adquiridos. O movimento reflete a tensão entre a necessidade de reestruturação da estatal e a preservação das condições de trabalho e benefícios dos seus empregados, que desempenham papel fundamental na operação diária dos Correios em todo o território nacional.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade