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Diferenças entre bancos digitais e tradicionais vão além das tarifas e impactam na gestão financeira e na inclusão bancária

•Jcomp/Magnific

A escolha entre um banco digital e um banco tradicional exige uma análise aprofundada de fatores que influenciam o cotidiano financeiro do usuário, indo além das tarifas praticadas. Aspectos como qualidade do atendimento, linhas de crédito, segurança e governança institucional podem ser determinantes na decisão, pois cada tipo de instituição apresenta diferenças significativas em sua estrutura operacional e na oferta de serviços.

As principais distinções entre bancos digitais e tradicionais concentram-se no atendimento ao cliente e na infraestrutura operacional. Enquanto os bancos tradicionais mantêm uma extensa rede de agências físicas, os bancos digitais operam com uma estrutura mais enxuta e centralizada, o que resulta em custos de gestão diferentes. Segundo Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, essa diferença estrutural impacta diretamente na política de tarifas, permitindo que muitas contas digitais ofereçam serviços gratuitos, devido à redução de despesas com agências físicas.

No que diz respeito à regulação, todas as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central (BC) estão sujeitas à fiscalização, porém, o porte e o escopo de serviços oferecidos influenciam na regulação específica de cada uma. Os bancos tradicionais costumam atuar como instituições múltiplas, integrando atividades de varejo, investimentos, crédito e outros segmentos financeiros. Já os bancos digitais podem variar de instituições de pagamento, que oferecem serviços limitados, até organizações com licença bancária plena, cuja diferença em relação aos bancos tradicionais é mínima em termos de produtos e serviços.

Recentemente, o Banco Central atualizou as exigências de capital mínimo para essas instituições, com limites que variam até 2028. Para bancos tradicionais, o capital mínimo exigido será de R$ 56 milhões, enquanto para fintechs — que representam uma parcela crescente do mercado — o limite será de R$ 9,2 milhões. Essa mudança visa fortalecer o sistema financeiro, ao mesmo tempo em que amplia o potencial de crescimento de bancos digitais, que, embora menores, apresentam maior potencial de expansão devido à sua agilidade e foco em inovação.

Piellusch destaca que, apesar do tamanho, bancos tradicionais tendem a crescer de forma mais lenta, enquanto os digitais apresentam maior potencial de crescimento acelerado. Além disso, observa-se uma diferença na base de clientes: os bancos tradicionais geralmente mantêm relacionamentos de longo prazo, enquanto os digitais têm papel importante na inclusão financeira de populações que tradicionalmente não tinham acesso a serviços bancários, como contas, crédito e investimentos.

Por outro lado, a inadimplência é uma preocupação maior nos bancos digitais, devido ao perfil de seus clientes, que muitas vezes possuem menor nível de educação financeira. Assim, esses bancos precisam adotar estratégias mais rigorosas de controle de risco para evitar perdas significativas.

Na composição de receitas, os bancos tradicionais dependem principalmente de tarifas bancárias e juros de empréstimos, com o spread de crédito — a diferença entre o custo de captação de recursos e os rendimentos obtidos com empréstimos e aplicações — sendo fundamental para sua lucratividade. Em contrapartida, os bancos digitais focam na ampliação da base de clientes e na monetização cruzada de diversos produtos, como cartões, investimentos e seguros, muitas vezes obtendo ganhos mesmo sem cobrar tarifas específicas por cada serviço.

Para quem busca decidir entre um banco digital ou tradicional, é importante avaliar aspectos que vão além das tarifas, considerando suas necessidades específicas de segurança, conveniência, relacionamento e cobertura de serviços. A segurança, por exemplo, não depende do modelo da instituição, mas dos mecanismos adotados, como criptografia, autenticação em duas etapas e monitoramento de transações. Além disso, tanto bancos tradicionais quanto digitais com licença plena estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura depósitos e investimentos de até R$ 250 mil por CPF e por instituição.

Por fim, recomenda-se consolidar o relacionamento financeiro, concentrando o uso de contas para facilitar o gerenciamento de pagamentos, recebimentos e investimentos. Após abrir uma conta, o usuário deve atualizar seus dados de pagamento e utilizar a portabilidade de salário e investimentos, procedimentos gratuitos e regulamentados, além de avaliar a conveniência de encerrar contas antigas para otimizar sua gestão financeira.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade