O Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou, na ata divulgada nesta terça-feira, 22 de outubro, a necessidade de que as políticas fiscal e monetária atuem de forma coordenada e harmoniosa para garantir a estabilidade econômica do país. A declaração evidencia a preocupação do colegiado com os efeitos de curto e longo prazo das ações fiscais e suas implicações na trajetória da inflação e na percepção de sustentabilidade da dívida pública.
Na análise apresentada na ata referente à reunião de setembro, o Copom destacou que a política fiscal exerce impacto imediato na economia, principalmente por meio do estímulo à demanda agregada, além de possuir uma dimensão mais estrutural que pode influenciar a percepção de investidores sobre a sustentabilidade da dívida pública brasileira. Essa percepção, por sua vez, tem potencial de afetar o prêmio a termo da curva de juros, ou seja, o custo adicional que o mercado exige para financiar o governo no longo prazo.
O documento também reforça que uma política fiscal contracíclica — ou seja, que atua de forma a suavizar os ciclos econômicos — e que contribua para a redução do prêmio de risco, é fundamental para a convergência da inflação à meta estabelecida pelo Banco Central. Essa abordagem ajuda a criar um ambiente de maior previsibilidade e estabilidade, facilitando o cumprimento das metas inflacionárias e a manutenção do crescimento econômico sustentável.
O texto da ata adverte que o enfraquecimento do esforço de reformas estruturais, aliado ao aumento do crédito direcionado e às incertezas relacionadas à estabilização da dívida pública, pode elevar a taxa de juros neutra da economia. Essa elevação, por sua vez, teria efeitos deletérios sobre a potência da política monetária e aumentaria o custo de desinflação, dificultando o controle da inflação sem prejudicar o crescimento econômico.
Além disso, o Comitê reafirmou sua convicção de que as políticas econômicas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas, ou seja, que atuem de forma a contrabalançar os ciclos econômicos adversos. Essa postura visa assegurar maior estabilidade aos mercados financeiros e à economia como um todo, especialmente em um contexto de incertezas globais e domésticas.
Na semana passada, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto porcentual, passando de 14,00% ao ano para 13,75% ao ano. Essa decisão faz parte de uma estratégia de ajuste gradual, que busca equilibrar o combate à inflação com a sustentação do crescimento econômico, levando em consideração o cenário macroeconômico e as perspectivas de inflação a médio prazo.
A ata do Copom reforça, portanto, a importância de manter uma política fiscal responsável e alinhada à política monetária, como elementos essenciais para garantir a estabilidade econômica do Brasil, especialmente diante de um ambiente de incertezas internas e externas.