O estoque de petróleo do Irã disponível para exportação está praticamente no limite, com seus níveis caindo drasticamente devido à redução de aproximadamente 50% na produção de petróleo bruto. Essa queda severa na capacidade de extração representa uma ameaça direta à principal fonte de receita do regime, agravando uma economia já devastada pela hiperinflação e sanções internacionais. Desde agosto, o Irã não realiza exportações de petróleo bruto, marcando o primeiro mês desde 2013, quando o monitoramento marítimo começou, que o país não embarcou petróleo em navios-tanque. O último carregamento ocorreu em 25 de agosto, enquanto os estoques internos atingem cerca de 70 milhões de barris — próximos ao pico registrado durante a pandemia — e a quantidade de petróleo fora da zona de bloqueio dos Estados Unidos caiu de 100 milhões para aproximadamente 10 milhões de barris em julho, conforme dados da Kpler.
A previsão é de que, se o ritmo atual de vendas for mantido, o Irã possa ficar completamente sem petróleo para exportar até o final de outubro. Internamente, a situação também é crítica: a produção caiu para cerca de 2 milhões de barris por dia, metade do nível pré-guerra, atendendo apenas ao consumo doméstico. Como consequência, a economia do país encolheu cerca de 10% ao ano entre março e junho, segundo dados oficiais iranianos, enquanto a inflação atingiu 90% no mês passado, a mais elevada desde a Segunda Guerra Mundial, com uma média anual de 73%. A deterioração econômica leva os iranianos a gastarem imediatamente seus recursos, pois o valor do dinheiro despenca rapidamente, e o governo, incapaz de arrecadar fundos por meios tradicionais, imprime moeda, agravando a hiperinflação.
Apesar do cenário de crise, o regime iraniano demonstra resistência e reluta em fazer concessões, especialmente em relação ao seu programa nuclear e às negociações sobre o trânsito de petróleo pelo Estreito de Ormuz. As sanções impostas pelos Estados Unidos, que tiveram efeito devastador na economia iraniana, também levaram a uma sofisticada rede de evasão, com o regime desenvolvendo mecanismos para contornar as restrições. Há relatos de que navios iranianos ficam encalhados ao largo do Sri Lanka, com tripulações temendo captura pelos EUA e aliados ocidentais, além de tentativas de disfarçar petróleo exportado como proveniente de outros países, como o Iraque, ou transferido por navios de nações vizinhas.
Especialistas indicam que, mesmo com as sanções mais rigorosas, o Irã consegue manter fluxos de recursos através de rotas clandestinas, incluindo o transporte por terra até o Cazaquistão e Rússia, ou por via marítima pelo Mar Cáspio. Rumores sugerem que países do Golfo, que normalmente exportam petróleo, poderiam estar pagando ao Irã por rotas seguras de passagem pelo Estreito de Ormuz, mesmo sob a proteção militar dos EUA, embora não haja evidências concretas de acordos formais nesse sentido. O custo de manter o fluxo de petróleo pelo estreito é elevado, com a Marinha dos EUA destinando recursos significativos para patrulha e escolta, o que onera o contribuinte americano e aumenta os preços globais de combustíveis.
O impacto econômico dessas sanções e do bloqueio marítimo é sentido de forma profunda, com custos elevados para os produtores de petróleo, que gastam até US$ 1,6 milhão por dia para manter operações de transporte, valor 24 vezes superior ao de 2025, segundo a Clarksons Shipping. Essa situação de impasse, embora onerosa, parece favorecer o Irã, que, apesar de suas dificuldades, mantém estratégias de resistência e contorno às sanções. Analistas indicam que o regime iraniano possui uma longa história de burlar restrições internacionais e administrar recursos de forma a sobreviver a crises econômicas, o que o coloca em uma posição de resistência prolongada, mesmo diante de uma economia em colapso.
A expectativa de que o Irã continue a resistir ao aumento da pressão externa sugere que o conflito de sanções e restrições marítimas pode se prolongar, com o regime adotando uma postura de espera, enquanto o custo para os Estados Unidos e seus aliados permanece elevado. Especialistas alertam que, apesar do desgaste, o Irã demonstra capacidade de manter sua estratégia de resistência, o que pode prolongar por tempo indeterminado a crise econômica e o impasse no Estreito de Ormuz. Assim, a situação atual indica que o país pode estar longe de ceder, mesmo diante de uma crise econômica sem precedentes na sua história recente.