O governo federal está empenhado em fortalecer seus mecanismos de precificação do mercado de carbono por meio de um intercâmbio de informações com a China, visando ampliar a venda de créditos de carbono emitidos pelo Brasil para o país asiático. Essa estratégia faz parte de uma iniciativa mais ampla de integração e cooperação bilateral, que busca aprimorar a infraestrutura e os sistemas de regulação do mercado de carbono brasileiro, além de estabelecer uma conexão política e técnica com a China, uma das maiores economias e emissores de gases de efeito estufa do mundo.
De acordo com informações obtidas pelo CNN Money, uma delegação brasileira liderada pela secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, está organizando uma viagem a Wuhan, na China, prevista para ocorrer entre os dias 14 e 18 de setembro. A agenda inclui encontros técnicos e reuniões bilaterais que têm como objetivo aprofundar o entendimento do funcionamento do sistema chinês de comércio de emissões, considerado um dos mais avançados do mundo. Durante dois dias da visita, a equipe brasileira realizará intercâmbios técnicos com representantes chineses para discutir operações, infraestrutura e regulamentações do mercado de carbono na China, buscando identificar áreas prioritárias para futuras ações de cooperação.
A iniciativa também visa alinhar os sistemas de comércio de emissões do Brasil e da China, promovendo uma maior compatibilidade entre eles. Para isso, Cristina Reis terá uma reunião bilateral com Lia Gao, vice-presidente da Administração Nacional de Ecologia e Meio Ambiente da China, com o objetivo de estabelecer um entendimento político e regulatório que possa facilitar a integração dos mercados de carbono dos dois países. Além do encontro técnico e do encontro bilateral, a delegação brasileira participará ainda da Conferência de Mercado de Carbono na China, evento que reúne especialistas e representantes de diversos países para discutir tendências e estratégias globais de descarbonização.
A viagem a Wuhan também marca a realização da segunda reunião de alto nível da Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono, uma iniciativa liderada pelo Brasil e criada durante a COP30, realizada em novembro de 2022. A coalizão tem como objetivo principal acelerar a instalação e a interoperabilidade entre diferentes mercados de carbono ao redor do mundo, além de buscar uma maior uniformização nos métodos de medição de emissões de gases de efeito estufa. Durante essa reunião, os países integrantes irão definir o plano de trabalho para os próximos anos, estabelecendo estratégias que possam facilitar a cooperação internacional e o alinhamento de políticas climáticas.
Essa será a última reunião antes da COP31, marcada para novembro na Turquia, na qual os países membros deverão consolidar suas posições políticas em relação ao tema do mercado de carbono para o período até 2027. A iniciativa reflete a importância crescente do mercado de créditos de carbono como ferramenta de combate às mudanças climáticas e de atração de investimentos estrangeiros, especialmente de países como a China, que possuem grande influência no cenário global de sustentabilidade e inovação ambiental. O governo brasileiro entende que a cooperação com a China pode abrir novas possibilidades para a exportação de créditos de carbono e fortalecer a posição do Brasil no mercado internacional de descarbonização.