Um estudo realizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com a entidade educacional Equidade, revelou que aproximadamente 20% dos estudantes brasileiros já realizaram apostas em plataformas digitais. A pesquisa, que contou com a participação de estudantes de 191 escolas de todas as regiões do país, foi conduzida entre os meses de agosto e setembro deste ano, oferecendo um panorama detalhado sobre o comportamento dos jovens em relação às apostas online.
De acordo com os dados coletados, as apostas em plataformas digitais começam a ocorrer a partir dos 11 anos de idade, embora a prática seja proibida para menores de 18 anos. O levantamento evidencia que essa atividade é mais comum entre os garotos, apresentando uma incidência crescente com o avanço da idade. Entre os estudantes do ensino fundamental final e do ensino médio, 20,4% afirmaram já ter realizado apostas online. Essa proporção aumenta significativamente aos 17 anos, atingindo 32,3%, e chega a 40% entre aqueles que têm 18 anos completos.
O estudo também aponta diferenças de gênero na participação nessas atividades. Enquanto 12,6% das estudantes do sexo feminino admitiram já ter apostado em plataformas digitais, essa porcentagem permanece relativamente estável independentemente da idade, não apresentando crescimento com o passar do tempo. Em contrapartida, a incidência entre os meninos é consideravelmente maior, refletindo um padrão de comportamento mais frequente entre os jovens do sexo masculino.
Outro aspecto relevante do levantamento é que a prática de apostas online ocorre de forma semelhante em escolas públicas e privadas. Ou seja, não há diferença significativa na prevalência do fenômeno entre os diferentes tipos de instituição de ensino. Além disso, a pesquisa revela que uma parcela expressiva dos estudantes, cerca de 40%, não consegue determinar se obteve ganhos ou perdas financeiras ao apostar nas plataformas digitais, indicando uma possível falta de compreensão sobre os riscos e as consequências dessas atividades.
A pesquisa evidencia a necessidade de maior atenção por parte de responsáveis, educadores e órgãos reguladores quanto ao envolvimento precoce dos jovens com apostas online, uma prática que, apesar de ilegal para menores, tem se mostrado cada vez mais acessível e atraente para essa faixa etária. Os dados reforçam a importância de ações educativas e de fiscalização para mitigar os riscos associados ao fenômeno, que pode contribuir para problemas financeiros, vício e outras consequências negativas na vida dos adolescentes.