Os preços do petróleo avançaram pela quinta sessão consecutiva nesta quinta-feira (20), atingindo o maior patamar em mais de três semanas, impulsionados pelos impasses políticos e militares na região do Oriente Médio. A incerteza gerada pelos conflitos e negociações entre Estados Unidos e Irã tem elevado as preocupações do mercado quanto à estabilidade do fornecimento de petróleo proveniente da área, que representa aproximadamente 20% do abastecimento global.
Pela manhã, os contratos futuros do petróleo Brent para o mês de outubro registraram uma alta de 2,39%, cotados a US$ 93,81 por barril, enquanto os contratos do petróleo WTI (West Texas Intermediate) para setembro avançaram para US$ 88,16 por barril. O contrato de maior liquidez, o WTI para outubro, apresentou um aumento de US$ 2,44, ou 2,89%, fechando em US$ 86,83 por barril. Essas valorizações refletem a percepção do mercado de que as tensões na região podem restringir o fluxo de petróleo, elevando os preços internacionais.
Até as 11h44, os preços continuaram a subir, com o Brent avançando 1,87% e o WTI 1,78%, demonstrando uma forte reação dos investidores às notícias relacionadas ao conflito. A alta nos preços é considerada a maior desde 23 de julho, período em que o mercado também experimentou oscilações devido às preocupações geopolíticas na região.
A escalada dos preços ocorre em meio a declarações contraditórias envolvendo os principais atores do conflito. Na terça-feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, por meio de uma publicação na plataforma Truth Social, que não havia negociações em andamento com o Irã e que o Estreito de Ormuz permanecia aberto e operacional. Trump reforçou que o bloqueio naval, que impede a passagem de embarcações, continuava em vigor, e que todas as minas aquáticas haviam sido removidas ou detonadas, minimizando, inicialmente, o impacto das tensões.
Entretanto, o Irã contradisse essa declaração, afirmando que a via marítima no Estreito de Ormuz permanecia fechada, o que aumenta a incerteza sobre a continuidade do transporte de petróleo na região. O estreito, uma das rotas mais estratégicas do mundo, é responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do petróleo global, e sua restrição tem impacto direto na oferta mundial.
A situação de impasse entre Washington e Teerã também tem causado uma drástica redução no tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz. Segundo dados da empresa de monitoramento de navios Kpler, o número de travessias diárias, que antes girava em torno de 130, caiu para uma fração mínima, muitas vezes abaixo de dois dígitos. Desde 7 de julho, apenas dois ou três petroleiros do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier), considerados superpetroleiros, têm transitado pelo estreito diariamente.
Além do impacto no transporte marítimo, o conflito tem afetado a oferta de combustíveis refinados, como diesel e óleo de aquecimento, além de reduzir os estoques de petróleo bruto. Dados divulgados na quarta-feira (19) pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) indicaram que os estoques de combustíveis destilados caíram pela terceira semana consecutiva, sinalizando menor disponibilidade de produtos refinados no mercado norte-americano. Por outro lado, os estoques de petróleo bruto tiveram um aumento inesperado de 4,4 milhões de barris na semana passada, o que não foi suficiente para conter a alta dos preços globais.
O cenário de tensão no Oriente Médio, aliado às declarações conflitantes entre Estados Unidos e Irã, mantém o mercado de petróleo em estado de atenção, com os investidores monitorando de perto os desdobramentos políticos e militares na região.