O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta sexta-feira, 28 de outubro, que sua decisão de apoiar a intervenção no mercado de câmbio do iene, tomada no mês anterior, foi fundamentada na possibilidade de impactos negativos nas taxas de juros americanas decorrentes de uma volatilidade extrema na moeda japonesa. Bessent explicou que, embora o Japão não possua dívidas que representem risco de inadimplência ao Tesouro dos EUA, a instabilidade na cotação do iene poderia desencadear consequências financeiras globais, incluindo aumentos nas taxas de juros nos Estados Unidos.
Em uma carta enviada à senadora democrata Elizabeth Warren, Bessent destacou que a preocupação central reside na grande participação do Japão em títulos do Tesouro Americano, conhecidos como Treasuries. Segundo ele, mercados de câmbio desordenados, especialmente envolvendo o iene, podem provocar liquidações forçadas, o que, por sua vez, poderia desestabilizar os mercados financeiros globais. A intervenção, portanto, seria uma medida de precaução para evitar que esse cenário se concretize, preservando a estabilidade financeira internacional.
Na correspondência, Bessent criticou duramente Warren por sua consulta recente sobre a intervenção no iene, afirmando que a senadora “entende ainda menos sobre mercados de câmbio do que sobre bancos”. Ele explicou que a transação que motivou a intervenção foi uma operação financeira legítima, sem a existência de um tomador de empréstimo, o que, na visão do secretário, demonstra uma compreensão equivocada por parte de Warren acerca do funcionamento do mercado de câmbio.
Bessent também aproveitou a oportunidade para comparar a situação atual com uma intervenção realizada na Argentina, onde o Tesouro utilizou o Fundo de Estabilização de Câmbio para evitar uma crise de liquidez que poderia ter se transformado em uma crise regional mais ampla. Ele ressaltou que uma crise bem gerenciada é aquela que é evitada antes de ocorrer, destacando a importância de ações preventivas em momentos de instabilidade cambial.
Além disso, o secretário justificou sua autoridade para agir, citando a Seção 5302, que lhe permite, com aprovação presidencial, tomar medidas para lidar com o câmbio em apoio a arranjos econômicos ordenados. Bessent concluiu sua carta afirmando que o povo americano merece uma supervisão baseada em fatos, e não em slogans ou interpretações equivocadas. Por fim, ele comentou de forma irônica que espera que a próxima carta de Warren demonstre uma compreensão mais clara das diferenças entre uma compra de moeda e um empréstimo, reforçando sua posição de que suas ações visam a estabilidade econômica e financeira dos Estados Unidos.