As principais bolsas de valores da Europa fecharam em alta nesta sexta-feira, 28 de agosto, recuperando parte das perdas registradas no dia anterior. O movimento de recuperação foi impulsionado por fatores como o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, que reafirmou o compromisso do banco central americano com a meta de inflação de 2%, e por indicadores econômicos positivos divulgados na região. Os mercados também acompanharam de perto as movimentações das ações de setores considerados de maior peso, como o de luxo e o bancário.
Na bolsa de Londres, o índice FTSE 100 avançou 0,29%, fechando aos 10.824,26 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,82%, encerrando o pregão aos 26.583,35 pontos. Paris também apresentou alta significativa, com o CAC 40 ganhando 0,98%, fechando aos 8.401,18 pontos. Milão registrou avanço de 0,67% no FTSE MIB, que terminou aos 52.616,12 pontos, enquanto Madri viu o Ibex 35 subir 0,91%, atingindo 20.063,00 pontos. Lisboa fechou com o PSI 20 em alta de 0,44%, ao 9.430,91 pontos. Ressalta-se que esses valores são preliminares.
No mercado parisiense, ações de empresas do setor de luxo tiveram destaque. A EssilorLuxottica, por exemplo, subiu 3,1% após anunciar um programa de recompra de até cinco milhões de ações. A Hermès também sustentou o desempenho positivo do setor, com alta de 2,8%, refletindo a forte demanda por produtos de luxo, que registrou avanço de 2,4% na região. Apesar do otimismo, os ativos franceses continuam sob atenção, devido às expectativas de revisão do rating soberano pela agência Fitch e às incertezas geradas por pesquisas eleitorais que ampliam preocupações fiscais.
No setor bancário, os papéis de instituições italianas como Mediobanca (+1,1%), Unipol (+1,3%) e Monte dei Paschi (+0,3%) tiveram desempenho positivo. O mercado também acompanhou a disposição da Generali de avaliar uma possível oferta do Monte dei Paschi pela Banca Generali, o que contribuiu para o avanço de 0,5% das ações da seguradora. O setor bancário europeu, de modo geral, registrou alta de aproximadamente 1,2%.
Na Inglaterra, o mercado de ações de defesa sofreu pressão após o governo britânico sinalizar a possibilidade de abandonar a meta de elevar os gastos militares a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até o ano de 2030. As ações de empresas como Babcock (-2,5%), BAE Systems (-2,9%) e QinetiQ (-0,9%) tiveram recuos significativos, refletindo a incerteza quanto às prioridades de gastos militares do Reino Unido.
Na zona do euro, o índice de sentimento econômico subiu de 97,1 para 98,4 pontos em agosto, superando as expectativas do mercado. Segundo a consultoria Capital Economics, esse dado indica um crescimento trimestral do Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 0,3%, reforçando a percepção de resiliência da economia regional diante de choques no setor de energia. A expectativa do mercado é de uma nova alta de 25 pontos-base na taxa de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) em sua próxima reunião, prevista para setembro.
Na França, o PIB do segundo trimestre foi revisado, passando de uma alta preliminar de 0,2% para estabilidade, indicando que a economia do país não cresceu no período, o que pode influenciar as decisões de política monetária. Esses dados, aliados ao cenário de incertezas fiscais e às revisões de classificação de risco, continuam a ser fatores de atenção para os investidores na região.