O banco de investimentos e corretora UBS BB reafirmou sua recomendação de compra para o Brasil em seu mais recente relatório divulgado na tarde de quinta-feira, 27 de outubro. A instituição justificou a manutenção da avaliação positiva, classificada como “overweight”, com a expectativa de que uma possível redução na taxa básica de juros, a Selic, e os efeitos favoráveis do aumento nos preços do petróleo contribuam para o cenário econômico do país.
De acordo com o documento, a América Latina continua sendo uma região considerada promissora no contexto dos mercados emergentes, devido a fatores como valuations atrativos, alta exposição às matérias-primas e significativa participação do mercado interno. O Brasil, em particular, destaca-se por sua forte dependência do mercado doméstico, uma vez que entre 80% e 90% das receitas das empresas brasileiras são geradas internamente, o que reduz sua vulnerabilidade às demandas externas em comparação com outros mercados voltados à exportação.
A análise do UBS BB reforça a expectativa de que o Banco Central do Brasil deverá promover um corte de 1,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14%. Desde março de 2023, o banco central vem adotando uma política de redução gradual, com cortes de 0,25 ponto por sessão, buscando equilibrar o controle inflacionário com o estímulo ao crescimento econômico. Essa previsão está alinhada às projeções do mercado financeiro, que, conforme o último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, espera que a Selic encerre o ano em 13,75%.
A redução na taxa de juros é vista como uma medida que pode aliviar as pressões sobre a dívida pública e o setor produtivo brasileiro, além de tornar o consumo mais atrativo. Segundo o relatório do UBS BB, a diminuição de 1,25 ponto na Selic pode abrir espaço para melhorias nos resultados das empresas, além de possibilitar uma reavaliação positiva dos valuations — ou seja, o valor de mercado de empresas e ativos, que pode ser revisitado positivamente diante de um cenário de juros mais baixos.
Outro fator destacado pelo banco é a relação do Brasil com os preços do petróleo. O relatório aponta que o país é um dos maiores beneficiados quando os preços do petróleo sobem, especialmente em momentos de alta volatilidade internacional. Após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, em março de 2023, a Petrobras, maior estatal petrolífera brasileira, chegou a registrar um aumento de 18,9% em seu valor de mercado quando os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril. Essa valorização reforça a posição do Brasil como um dos países emergentes mais beneficiados por altas nos preços do petróleo.
Na avaliação do UBS BB, o Brasil permanece na lista de mercados emergentes recomendados com a classificação “overweight”, ao lado de países como Coreia do Sul, China, Emirados Árabes Unidos, Malásia e Vietnã. A recomendação reflete a confiança na trajetória de recuperação econômica do país, apoiada por fatores internos e externos favoráveis, incluindo o potencial de ganhos decorrentes de preços elevados do petróleo e a expectativa de redução de juros que pode impulsionar o crescimento e melhorar os valuations das empresas brasileiras.