AO VIVO: Rádio JMV
--:--
26°C ☀️ Ensolarado
USD R$ --
BTC $ --
JMV News
Programa Atual
JMV News - Notícias e Atualizações em Tempo Real 24 horas
Pesquisa da Fiocruz relaciona secas durante a gestação a partos prematuros e restrição do crescimento fetal • Urbanização de favelas cresce 152% em 40 anos e reduz presença de vegetação • Escola de Modelagem Molecular consolida formação de pesquisadores e reúne mais de 500 participantes em 2026 • Pesquisador da Fiocruz representa o Brasil em força-tarefa da OMS sobre reforma da saúde global • Lei Rouanet atinge recorde histórico com 25.650 projetos inscritos em 2026 • Democratas assumem controle do Senado e da Câmara dos EUA após eleições de meio de mandato • Anvisa aprova versão oral do Wegovy para tratamento da obesidade • No STF, Cruzeiro critica proibição das bets e clubes cobram transição para contratos • AGU defende no STF validade de medida provisória que proibiu bets no país • Fiocruz reúne orientações para proteger a saúde durante período de queimadas na Amazônia • Pesquisa da Fiocruz relaciona secas durante a gestação a partos prematuros e restrição do crescimento fetal • Urbanização de favelas cresce 152% em 40 anos e reduz presença de vegetação • Escola de Modelagem Molecular consolida formação de pesquisadores e reúne mais de 500 participantes em 2026 • Pesquisador da Fiocruz representa o Brasil em força-tarefa da OMS sobre reforma da saúde global • Lei Rouanet atinge recorde histórico com 25.650 projetos inscritos em 2026 • Democratas assumem controle do Senado e da Câmara dos EUA após eleições de meio de mandato • Anvisa aprova versão oral do Wegovy para tratamento da obesidade • No STF, Cruzeiro critica proibição das bets e clubes cobram transição para contratos • AGU defende no STF validade de medida provisória que proibiu bets no país • Fiocruz reúne orientações para proteger a saúde durante período de queimadas na Amazônia •

Pesquisa da Fiocruz relaciona secas durante a gestação a partos prematuros e restrição do crescimento fetal

Um estudo conduzido pela Fiocruz Bahia encontrou associação entre a exposição de gestantes a períodos de seca e dois desfechos adversos ao nascimento: prematuridade e nascimento de bebês pequenos para a idade gestacional. A análise considerou 29,8 milhões de nascimentos registrados no Brasil entre 2001 e 2020 e foi publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas.

Durante o período avaliado, aproximadamente 8% dos partos ocorreram antes do tempo esperado e 9,3% dos recém-nascidos foram classificados como pequenos para a idade gestacional. Segundo os pesquisadores, a presença, a duração e a intensidade da estiagem estiveram associadas a alterações no curso da gestação e no crescimento dos fetos.

Entre as gestantes expostas à seca, a pesquisa estimou de 1,4 a 1,7 caso adicional de prematuridade para cada mil nascimentos. No caso dos bebês pequenos para a idade gestacional, o acréscimo variou de 0,8 a 1,5 ocorrência por mil nascimentos. A diferença nos resultados dependeu do período da gravidez em que a exposição ao fenômeno foi registrada.

Base de dados reuniu informações de saúde, renda e clima

O levantamento foi realizado a partir da Coorte de Nascimentos do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia). A estrutura combina registros do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) com dados da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, formada pelo cruzamento do Cadastro Único do Governo Federal com diferentes sistemas de saúde.

Com essa integração, foi possível analisar características das mães, condições socioeconômicas das famílias, informações relacionadas ao parto e dados dos recém-nascidos. Esses registros foram vinculados a indicadores climáticos para identificar a relação entre a exposição à seca e os resultados observados ao nascimento.

A metodologia levou em conta diferentes níveis de severidade da estiagem e vários intervalos de exposição ao longo da gravidez. Dessa forma, os pesquisadores não avaliaram somente se havia ou não ausência de chuva, mas também por quanto tempo e com que intensidade a seca atingiu cada localidade.

O trabalho aponta que a escassez de água, agravada pelo contexto de mudanças climáticas, pode estar relacionada a consequências negativas para a saúde materno-infantil. A análise também incorporou a evapotranspiração, fenômeno em que a água do solo, dos rios, das plantas e da vegetação é devolvida à atmosfera em forma de vapor.

Em períodos de temperaturas mais altas, a evapotranspiração tende a aumentar. A água evapora em velocidade maior, enquanto as plantas perdem mais umidade. Por isso, uma região pode registrar agravamento da seca mesmo quando a redução das chuvas não é o único fator envolvido. Para os autores, considerar esse processo é importante diante do aumento das temperaturas e das mudanças no clima.

Relação com prematuridade cresceu conforme a seca se intensificou

A pesquisa identificou associação entre secas moderadas e maior probabilidade de parto prematuro. A relação se tornou mais acentuada nos cenários em que o fenômeno foi classificado como severo ou extremo, indicando que a intensidade da estiagem teve papel relevante nos resultados.

Também foi observada maior ocorrência de bebês pequenos para a idade gestacional entre mulheres que passaram por períodos de seca durante a gravidez. Nesse caso, os efeitos foram mais evidentes quando a escassez de água se prolongou por uma parte maior da gestação, situação relacionada pelos pesquisadores a impactos no desenvolvimento fetal.

O estudo mostrou ainda que os efeitos variaram conforme o bioma brasileiro. A associação com a prematuridade foi mais forte nos territórios da Amazônia, do Cerrado e do Pampa. Já a relação entre a estiagem e o nascimento de crianças pequenas para a idade gestacional apareceu com maior intensidade na Caatinga e na Amazônia, especialmente em episódios prolongados.

Outro resultado apontado pela análise foi a relação entre a seca e o baixo peso ao nascer, principalmente na Caatinga. É considerado baixo peso o nascimento de um bebê com menos de 2.500 gramas. A condição está associada a maior risco de adoecimento e mortalidade infantil.

Vulnerabilidade social ampliou os efeitos observados

Os vínculos entre seca e desfechos negativos foram mais intensos em municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito baixo, baixo e médio. De acordo com o estudo, esses locais tendem a reunir maior vulnerabilidade social e limitações estruturais relacionadas ao acesso à água, à alimentação adequada e aos serviços de saúde.

Essas dificuldades podem acentuar desigualdades já existentes e aumentar a exposição de gestantes e crianças aos impactos de eventos climáticos extremos. Os resultados reforçam, segundo a pesquisa, a necessidade de considerar as condições ambientais e sociais no acompanhamento da gestação e na organização das políticas de saúde materno-infantil.

Documento apresenta 17 recomendações para a gestão pública

Os achados deram origem ao documento Seca e saúde materno-infantil no Brasil: caderno de recomendações para a gestão pública. A publicação foi elaborada de forma coletiva, com a participação de representantes do governo, profissionais que atuam diretamente nos territórios e entidades da sociedade civil.

O caderno apresenta 17 recomendações organizadas em sete eixos. As propostas são voltadas a gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), da assistência social e do planejamento público, com foco no uso de evidências científicas para orientar decisões diante dos riscos climáticos.

Entre as medidas sugeridas estão o reforço da Atenção Primária à Saúde em áreas vulneráveis, a inclusão dos riscos relacionados ao clima nos instrumentos de planejamento do SUS, a capacitação dos profissionais para atender populações afetadas pela crise climática e a preparação das redes de atenção para situações extremas.

O estudo foi liderado pela pesquisadora Aline Rocha e desenvolvido pelo Grupo de Nutrição e Ambiente (GNUT), do Cidacs/Fiocruz Bahia. Para Rocha, a participação de diferentes setores ajudou a interpretar os resultados para além dos indicadores numéricos. “O diálogo com o grupo ampliou minha forma de olhar para os resultados, permitindo ir além dos números e enxergar as pessoas e as realidades por trás dos dados”, afirmou.

César Santos, representante da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) no grupo, ressaltou a contribuição das organizações sociais na elaboração de políticas públicas. Segundo ele, a presença dessas entidades aproxima as recomendações das experiências e dos conhecimentos existentes nos territórios, além de contribuir para reduzir os efeitos da seca e das mudanças climáticas sobre os grupos mais vulneráveis.

Também participaram da iniciativa representantes do Ministério da Saúde, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. O grupo contou ainda com integrantes da ASA, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), do Grupo Mulheres Negras Mãe Andresa, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) e da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, entre outras organizações.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade