Nesta sexta-feira (11), dois integrantes do Banco Central Europeu (BCE) sinalizaram que podem ocorrer novos aumentos nas taxas de juros na zona do euro, caso os preços da energia continuem a subir devido à guerra no Irã e impactem outros setores da economia. O BCE, que na quinta-feira (10) elevou sua taxa básica de juros pela segunda vez neste ano, indicou que o aperto monetário deve continuar nos próximos meses, com uma possível nova alta já prevista para o mês de outubro.
O presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, declarou à CNBC que o banco central pode precisar elevar os juros a um nível que leve a uma moderada restrição na atividade econômica da região. Nagel afirmou que essa decisão dependerá da evolução dos preços do petróleo e do gás natural, que têm sido influenciados pelo conflito no Irã. Ele destacou que, embora não descarte a possibilidade de uma política monetária mais restritiva, essa medida dependerá do comportamento dos preços de energia nos próximos meses.
O BCE, na última reunião de política monetária, aumentou sua taxa de juros de 2,25% para 2,50%, atingindo o limite superior da faixa considerada neutra, ou seja, uma taxa que não estimula nem desacelera a economia. Essa elevação visa conter pressões inflacionárias, embora as projeções do banco tenham sido ajustadas de forma moderada na última quinta-feira, sem levar em conta as recentes variações nos preços de energia.
As expectativas do mercado financeiro indicam que o BCE poderá realizar pelo menos mais três aumentos de juros ao longo do próximo ano, refletindo a preocupação com a persistência da alta nos custos de energia e seus efeitos sobre a inflação na região.
O presidente do banco central da Estônia, Ülo Kaasik, também comentou sobre essa perspectiva, afirmando que as expectativas de novos aumentos de juros são “compreensíveis” diante do aumento recente nos preços dos combustíveis e do risco de elevação dos custos dos alimentos. Ele ressaltou que as recentes oscilações nos mercados de energia indicam a possibilidade de uma elevação mais significativa e prolongada dos preços do gás natural e dos combustíveis, o que pode afetar ainda mais a inflação na zona do euro.
Por sua vez, Primož Dolenc, presidente do banco central da Eslovênia, manifestou preocupação com o impacto do aumento dos custos de energia e eletricidade nos meses de outono e inverno, alertando para possíveis pressões adicionais sobre a inflação na região.
Na reunião de quinta-feira, o BCE também revisou suas projeções econômicas, elevando ligeiramente suas estimativas de crescimento e inflação para o próximo período. Entretanto, esses ajustes não consideraram ainda as recentes oscilações nos preços da energia, que podem impactar as perspectivas econômicas da zona do euro de forma mais significativa nos próximos meses.