A importância do diagnóstico precoce de baixa visão na infância foi destacada por especialistas durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), realizado em Salvador, cujo encerramento ocorreu neste sábado, 12 de novembro. A oftalmologista Maria de Fátima Neri reforçou que, ao contrário do que muitos podem imaginar, a visão na infância desempenha papel crucial no desenvolvimento global da criança, influenciando aspectos motores, cognitivos, de comunicação e sociais.
De acordo com a médica, a perda visual em fase precoce pode impactar não apenas o aprendizado escolar, mas todo o processo de crescimento e amadurecimento da criança. Ela destacou que quanto mais cedo for realizada a intervenção, maior é a probabilidade de aproveitar a visão residual da criança para desenvolver estratégias funcionais que possam facilitar sua adaptação e autonomia no futuro. Essa abordagem preventiva é essencial para minimizar possíveis prejuízos no desenvolvimento integral do indivíduo.
Maria de Fátima explicou que, ao tratar de baixa visão infantil, não se trata simplesmente de uma redução na acuidade visual. A condição pode afetar a percepção visual, a exploração do ambiente e, consequentemente, o desenvolvimento motor, cognitivo, de linguagem, além de influenciar na comunicação e na participação social da criança. Ela enfatizou a necessidade de avaliar o que a criança consegue fazer com o resíduo visual que possui, para entender de que modo essa visão residual pode ser potencializada.
Entre as principais causas de baixa visão na infância, a especialista listou fatores que variam desde condições congênitas até adquiridas, ressaltando a importância de uma avaliação detalhada. Além do diagnóstico, é imprescindível compreender as funções visuais da criança, incluindo a acuidade visual, e dialogar com os pais para entender como a criança consegue realizar suas atividades diárias e de que forma a baixa visão interfere nesses processos.
Durante as avaliações, os sinais de alerta que indicam a necessidade de investigação mais aprofundada incluem dificuldades na exploração do ambiente, problemas na coordenação motora, atraso no desenvolvimento cognitivo e dificuldades na comunicação. Para um tratamento eficaz, o trabalho de habilitação deve envolver diversas áreas, como estimulação visual funcional, uso de recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, além de orientações de mobilidade, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e suporte à família.
Maria de Fátima ressaltou que o desenvolvimento visual está intrinsecamente ligado a outros aspectos do crescimento, como o motor, o cognitivo, a linguagem e a interação social. Assim, alterações visuais significativas e não identificadas podem repercutir negativamente no desenvolvimento global da criança. Por isso, ela reforça que o encaminhamento precoce de crianças com suspeita de baixa visão não deve se limitar ao tratamento da visão em si, mas também à proteção do desenvolvimento, da autonomia e do futuro dessas crianças.
A especialista conclui que uma intervenção oportuna é uma estratégia essencial para garantir que a criança possa alcançar seu potencial máximo, promovendo uma melhor qualidade de vida e maior inclusão social.