Os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais dos países integrantes do grupo Brics—Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul—reiteraram nesta semana a necessidade de reformar as principais instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. A declaração conjunta, divulgada na noite de quinta-feira, 10 de novembro, evidencia o esforço dos países do bloco em ampliar a representatividade das economias de mercados emergentes e em desenvolvimento na governança econômica global.
Segundo o documento, o crescimento da participação dessas economias na produção e no crescimento mundial reforça a prioridade de promover mudanças na estrutura de decisão dessas instituições. Os representantes dos Brics afirmaram que continuarão a fortalecer a coordenação entre seus membros com o objetivo de tornar as instituições financeiras internacionais mais transparentes, responsáveis e representativas, atendendo às demandas de um sistema global em transformação.
A cúpula de líderes dos Brics será realizada neste fim de semana na cidade de Nova Délhi, capital da Índia, que assume a presidência do grupo. Estarão presentes os líderes da Rússia, China e Irã, além de representantes de outros países convidados. Este encontro ocorre mais de seis meses após ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, um dos membros do bloco desde 2024. Os conflitos e a instabilidade regional têm aumentado a atenção internacional para o papel dos países emergentes na geopolítica e na economia global.
A reunião acontece em um momento de aumento dos preços do petróleo, consequência direta do conflito na região, o que tem pressionado ainda mais as economias emergentes. Essas nações também enfrentam os efeitos da volatilidade nas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, que impactam suas balanças comerciais e estabilidade econômica. Os representantes do Brics manifestaram preocupação com a imposição unilateral de medidas relacionadas ao comércio e às finanças, incluindo tarifas elevadas e ações não tarifárias, que, segundo eles, distorcem o comércio internacional e são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
No âmbito das reformas institucionais, os ministros das Finanças reconheceram os avanços feitos pela força-tarefa de pagamentos do grupo, criada para facilitar transações financeiras entre os países do bloco. No entanto, destacaram a necessidade de acelerar os progressos na interoperabilidade dos sistemas de pagamento, buscando soluções práticas para facilitar transferências transfronteiriças. A intenção é tornar esses processos mais rápidos, acessíveis, transparentes, seguros e de baixo custo, promovendo maior eficiência e integração financeira entre os membros.
Além disso, uma das principais pautas discutidas é a integração das moedas digitais entre os países do Brics. Fontes próximas às negociações indicaram que a Índia tem pressionado por avanços nesse campo, com o objetivo de fortalecer a cooperação financeira digital do grupo. As discussões indicam uma estratégia de diversificação e modernização do sistema financeiro dos países emergentes, buscando maior autonomia frente às instituições tradicionais e às pressões externas.
Diante do cenário global de tensões econômicas e políticas, os países do Brics reforçam seu compromisso de promover reformas nas instituições financeiras internacionais, buscando maior representatividade e maior eficiência na governança econômica mundial, alinhando-se às suas crescentes participações na economia global.