As ações da Oracle registraram uma alta de 3% na abertura do pregão de sexta-feira, reagindo a um incremento de US$ 26 bilhões na carteira de pedidos da empresa, que ajudou a aliviar temporariamente as preocupações do mercado relacionadas aos elevados gastos e ao endividamento. Apesar do movimento positivo, analistas destacam que a recuperação do fluxo de caixa da companhia ainda está distante, indicando que os desafios financeiros permanecem.
Segundo informações divulgadas pela própria Oracle, aproximadamente metade dos US$ 664 bilhões em pedidos atualmente em carteira deverá se converter em vendas ao longo dos próximos 36 meses. A empresa ressaltou que grande parte dessa receita recém-contratada não demandará investimentos adicionais de capital próprio, uma vez que depende de pagamentos antecipados de seus clientes e do fornecimento de chips por parte dos próprios clientes para expandir sua capacidade produtiva. Essa estratégia de financiamento, aliada a resultados positivos no primeiro trimestre e a uma melhora no balanço patrimonial, contribuiu para a recuperação das ações após um período de desempenho abaixo do esperado.
Contudo, até o momento, as ações da Oracle acumulam uma queda superior a 21% neste ano até o último fechamento, em contraste com uma alta de quase 11% registrada pelo índice S&P 500 no mesmo período. Investidores têm questionado as apostas da companhia em inteligência artificial (IA) e a sustentabilidade de seus negócios tradicionais de software na era da IA, o que tem pressionado suas ações.
De acordo com Luke Yang, analista da Morningstar, mesmo com a orientação aos clientes para financiarem parcialmente o hardware necessário, a expectativa é de que o perfil de fluxo de caixa da Oracle não apresente melhorias significativas em curto prazo. Yang afirmou que levará anos até que a receita proveniente da nuvem atinja uma escala suficiente para suportar a expansão contínua de capacidade, ao mesmo tempo em que gera fluxo de caixa positivo de forma consistente.
A Oracle também enfrenta riscos ligados ao financiamento e à rentabilidade de seus data centers, especialmente em um contexto de aumento nos custos de componentes e de uma reação negativa ao desenvolvimento de novas instalações nos Estados Unidos. Para financiar suas operações e projetos de expansão, a empresa anunciou que levantará US$ 40 bilhões por meio de financiamento de dívida e emissão de ações, incluindo uma venda de ações no valor de US$ 20 bilhões concluída no primeiro trimestre do atual exercício fiscal.
Apesar do fluxo de caixa livre negativo de US$ 5,40 bilhões, a Oracle apresentou uma melhora em relação à estimativa de analistas, que previa uma queima de caixa de US$ 9,56 bilhões, segundo dados da LSEG. Os analistas da Evercore consideraram os resultados um avanço importante para equilibrar a discussão sobre o crescimento acelerado de receita da companhia, mesmo que o elevado endividamento continue sendo uma preocupação.
No mercado de ações, a Oracle negocia a múltiplos de 16,86 vezes suas estimativas de lucros futuros, em comparação com os múltiplos de 23,84 da Microsoft e 22,58 da Amazon, conforme dados da LSEG. Essa avaliação sugere que, apesar dos desafios, a empresa ainda mantém uma relação de valor atrativa frente a seus principais concorrentes no setor de tecnologia.