O setor atacadista de São Paulo encerrou o primeiro semestre de 2026 com um recorde histórico de empregos formais, atingindo aproximadamente 632 mil postos de trabalho com carteira assinada. Este número representa a maior quantidade de empregos registrados na série histórica iniciada em 2020, consolidando o setor como um dos principais pilares da economia paulista. Apesar do avanço no número de trabalhadores, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) destacou que o ritmo de contratações desacelerou devido às condições econômicas adversas, como a elevada taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano, além do aumento do endividamento e da inflação acima da meta oficial.
A entidade expressou preocupação de que o crescimento do emprego poderia ter sido ainda maior se não fosse o impacto desses fatores econômicos. Em junho de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025, o emprego formal no atacado paulista cresceu 1,2%, demonstrando uma recuperação moderada, especialmente em segmentos específicos. Os principais grupos de atuação do setor continuam sendo alimentos e bebidas, que concentram cerca de 194 mil postos de trabalho, seguidos por produtos farmacêuticos, perfumarias e higiene pessoal, com a admissão de 63.539 novos colaboradores, e máquinas de uso comercial e industrial, que registraram 62.469 contratações.
Entretanto, o saldo de novas vagas criadas ao longo do primeiro semestre apresentou uma redução significativa. Entre janeiro e junho de 2025, o setor gerou 12.005 novas vagas, enquanto no mesmo período de 2026 esse número caiu para 5.536, resultado de 159.515 admissões contra 153.979 desligamentos. Este é o pior saldo para um primeiro semestre desde 2020, refletindo a desaceleração nas contratações e a maior rotatividade de trabalhadores no setor.
A FecomercioSP reforça a importância do comércio atacadista na cadeia de distribuição de mercadorias, destacando seu papel estratégico na intermediação entre a produção industrial, a agropecuária e o varejo. O setor atua como elo fundamental ao fornecer grandes volumes de produtos para empresas e lojistas, além de financiar o capital de giro necessário para a manutenção dessa cadeia de abastecimento. A entidade também salienta que o segmento sustenta uma base de empregos ampla e diversificada em São Paulo, devido à heterogeneidade da economia do estado, que abrange a distribuição de alimentos, insumos agropecuários, bens de consumo duráveis, produtos intermediários e itens destinados ao setor de saúde.
No que diz respeito às atividades específicas, alimentos e bebidas se destacaram positivamente no semestre, com a criação de 1.052 empregos, consolidando-se como o segmento de maior crescimento no período. Em seguida, aparecem produtos e equipamentos para uso médico, hospitalar e odontológico, que abriram 124 novas vagas. Por outro lado, segmentos como produtos químicos, metalúrgicos e insumos agrícolas tiveram saldo negativo, fechando 141 postos de trabalho, refletindo desafios setoriais e a influência das condições econômicas mais amplas.
Em suma, o setor atacadista paulista demonstra resiliência ao registrar o maior número de empregos formais na história do segmento, embora enfrente obstáculos que têm impactado a velocidade de contratações. A continuidade desse cenário dependerá de fatores econômicos nacionais e internacionais, bem como de políticas que possam incentivar o crescimento sustentável do setor.