O mercado de petróleo fechou o dia em alta, marcando a quinta sessão consecutiva de valorização, impulsionado por declarações de autoridades americanas reafirmando a continuidade da pressão econômica sobre o Irã, mesmo com as negociações entre os dois países sem avanços concretos. Os preços do petróleo tiveram forte recuperação após o anúncio, refletindo o cenário de tensão geopolítica e as incertezas que ainda permeiam o mercado global de energia.
Na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex), o petróleo tipo WTI para entrega em outubro subiu 2,89%, ou US$ 2,44, fechando a US$ 86,83 por barril. Já o petróleo Brent, negociado na Bolsa de Intercontinental Exchange (ICE) em Londres, avançou 2,36%, ou US$ 2,16, encerrando o dia a US$ 93,78 por barril. Esses movimentos indicam uma resposta do mercado às declarações de reforço das sanções e às tensões envolvendo as negociações com o Irã, que permanecem sem progresso.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira, 20 de outubro, que o Irã enfrentará as “sanções mais duras da história”. Apesar disso, Bessent destacou que a possibilidade de retomar ataques americanos contra o regime iraniano é considerada improvável no momento. Essas declarações reforçam o compromisso dos EUA em manter uma postura de pressão econômica sobre o Irã, enquanto as negociações diplomáticas continuam estagnadas.
Na quarta-feira, 19 de outubro, o presidente Donald Trump já havia anunciado a implementação de novas sanções contra o Irã, qualificando a medida como uma “guerra econômica”. Trump também ameaçou países que ajudarem o Irã a driblar as sanções, aumentando o nível de tensão internacional. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, criticou duramente a postura de Washington, classificando as ações como uma “cortina de fumaça” para encobrir a crise interna dos Estados Unidos, marcada por uma dívida pública sem precedentes e dificuldades econômicas.
Especialistas do mercado, como a Sucden Financial, apontam que a ausência de negociações programadas entre Washington e Teerã, aliada à persistente tensão no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo —, mantém um prêmio de risco elevado no mercado de energia. Essa situação limita a capacidade dos investidores de precificar adequadamente o risco de inflação relacionado ao petróleo, o que pode gerar maior volatilidade nos preços.
No cenário internacional, a guerra na Ucrânia também contribui para a instabilidade no mercado de energia. Nesta quinta-feira, 20 de outubro, a Rússia realizou um ataque aéreo de grande escala contra Kiev e regiões próximas, utilizando dezenas de mísseis e drones, resultando na morte de ao menos 16 pessoas. O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, solicitou que países enviem mais interceptores Patriot para fortalecer a defesa do país, embora os estoques internacionais de sistemas de defesa estejam baixos devido ao prolongamento do conflito na região e às tensões no Oriente Médio. Essas múltiplas crises geopoliticas continuam a pressionar os preços do petróleo e a gerar incerteza no mercado global de energia.