O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, estão programados para se reunir neste domingo, dia 20, na sede do banco JP Morgan Chase, em Manhattan, com o objetivo de avançar em negociações sobre temas estratégicos como inteligência artificial, tarifas comerciais e minerais críticos. A reunião, que também contará com a presença do Representante Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, terá início por volta das 11h30 no horário de Brasília e está prevista para durar o dia inteiro, refletindo a importância das questões em pauta para a relação bilateral e para a economia global.
Os principais tópicos de discussão incluem o status da trégua comercial entre Estados Unidos e China, cujo prazo de validade expira em 10 de novembro, além do fluxo de ímãs de terras raras e minerais essenciais produzidos na China. Autoridades norte-americanas têm manifestado insatisfação com o desempenho chinês na área de minerais críticos, considerando o fornecimento insuficiente para atender às demandas dos EUA e do mercado global. Outro ponto central será a implementação de medidas de proteção para a inteligência artificial, especialmente após relatos de falhas de segurança relevantes envolvendo modelos de IA, uma tecnologia que ambos os países lideram globalmente.
Analistas avaliam que o resultado mais provável dessas negociações será uma demonstração de pequenos avanços, com ambos os lados adotando medidas que evidenciem a intenção de evitar o agravamento das tensões em uma relação comercial delicada, que tem impactos significativos na economia mundial. Anna Ashton, especialista em comércio com a China e fundadora da Ashton Intelligence, afirmou que, embora se espere alguma demonstração de resultados concretos devido à relevância da cúpula presidencial, não há expectativa de avanços substanciais, prevendo que o cenário mais provável seja a manutenção do status quo.
As questões em pauta remontam ao encontro entre os líderes Donald Trump e Xi Jinping, realizado em Pequim em maio, que trouxe promessas de redução de tarifas sobre bens não estratégicos, além de compromissos chineses de elevar as compras de produtos agrícolas dos EUA em US$ 17 bilhões anuais e adquirir mais de 200 aeronaves da Boeing. Desde então, os representantes dos dois países têm se reunido em cidades europeias e asiáticas ao longo dos últimos 16 meses, buscando consolidar esses acordos preliminares.
Um marco importante dessa trajetória foi a trégua de novembro de 2019, firmada em Busan, na Coreia do Sul, que limitou as tarifas americanas impostas durante o segundo mandato de Trump a aproximadamente 20% sobre produtos chineses. Essa medida ocorreu após uma escalada de retaliações mútuas que elevou as tarifas a níveis de três dígitos em ambos os lados. Posteriormente, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou algumas tarifas de Trump, que haviam sido decretadas sob uma lei de emergência nacional, incluindo as relacionadas ao tráfico de fentanil. Ainda assim, o governo Trump vem reestabelecendo tarifas, como a de 12,5% sobre produtos chineses, sob alegações de trabalho forçado na China.
Nos últimos meses, os EUA têm conduzido investigações tarifárias com o objetivo de conter o excesso de capacidade industrial chinesa, além de buscar garantias de que a China restabeleça o fluxo de minerais críticos essenciais para a economia americana e global. Entretanto, um alto funcionário norte-americano afirmou na sexta-feira, dia 18, que o desempenho chinês nessa área tem sido insatisfatório, sendo um tema de discussão na reunião de domingo.
A discussão sobre inteligência artificial é de particular relevância, pois ambos os países lideram o desenvolvimento de tecnologias avançadas na área. Bessent destacou que as negociações devem abranger modelos de IA de código aberto e fechado, ressaltando que os Estados Unidos continuam na liderança mundial nesse setor. Ele também defendeu a necessidade de estabelecer mecanismos de proteção que evitem que modelos de IA avançados caiam nas mãos de atores não estatais com intenções maliciosas.
Além disso, os dois países concordaram em maio passado em iniciar discussões para reduzir tarifas sobre bens não estratégicos por meio de um mecanismo denominado “Conselho de Comércio”, além de estabelecer um fórum para tratar de questões específicas de investimento. Apesar de o governo Trump ter endurecido restrições ao investimento de empresas americanas na China, fontes indicam que estão sendo elaboradas regras que permitiriam investimentos farmacêuticos chineses em medicamentos promissores e acordos de licenciamento.
Por fim, o Ministério do Comércio da China anunciou que He Lifeng liderará uma delegação de empresas chinesas aos Estados Unidos para participar de consultas econômicas e comerciais antes da cúpula. Essa delegação empresarial, que replica o grupo de CEOs norte-americanos levado por Trump a Pequim em maio, coincide com a expressão de Trump de que as montadoras chinesas podem construir fábricas nos EUA. Contudo, grupos da indústria automobilística norte-americana solicitaram a Trump que mantenha a proibição de vendas de veículos chineses no mercado interno, citando motivos de segurança nacional.