O escritório de advocacia Barci de Moraes declarou neste domingo (20) que as contratações de voos de táxi aéreo para seus profissionais foram realizadas exclusivamente por motivos operacionais, sem qualquer relação pessoal com os proprietários das aeronaves ou com os envolvidos na escolha das empresas de aviação. A manifestação ocorre após a divulgação de um vídeo pelo jornal O Globo, na coluna do jornalista Lauro Jardim, que mostra o desembarque do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e de sua esposa, Viviane Barci, sócia do escritório, no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025.
A gravação revela que o jatinho utilizado na ocasião pertence à Prime Aviation, uma companhia aérea que, no passado, teve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um de seus sócios. Essa conexão, aliada ao fato de Vorcaro ter sido sócio de uma das empresas de aviação que prestaram serviços ao escritório, gerou questionamentos sobre possíveis vínculos pessoais nas operações de transporte aéreo do ministro e de sua esposa. Vale destacar que, antes da decretação da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o escritório de Moraes prestou serviços jurídicos ao banco, o que reforça o interesse público na relação entre os envolvidos.
Em nota oficial, o escritório de Moraes reforçou que os voos de táxi aéreo foram contratados com a Prime Aviation, uma empresa de aviação civil que atua de forma independente e que a escolha da aeronave e do operador é uma decisão operacional, sem qualquer ligação com os proprietários ou sócios da companhia. A nota também esclareceu que a seleção das aeronaves é de responsabilidade da própria Prime Aviation, que realiza a contratação de pilotos e aeronaves de acordo com critérios internos e operacionais, sem influência ou preferência por vínculos pessoais.
A controvérsia envolvendo as viagens de Moraes e sua esposa ganhou destaque em decorrência do histórico do escritório de advocacia, que no ano passado veio à tona após a imprensa revelar a existência de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o escritório e o Banco Master para prestação de serviços jurídicos. O contrato foi suspenso após a liquidação do banco pelo Banco Central, mas sua existência reforça o interesse público na transparência das operações do escritório e na relação com figuras de destaque no cenário financeiro e político.
A divulgação do vídeo e as declarações do escritório de Moraes reforçam a tentativa de esclarecer que as contratações de voos de táxi aéreo ocorreram de forma regular, seguindo critérios de operação e sem qualquer vínculo pessoal com os proprietários das aeronaves ou com os sócios de empresas de aviação civil. A questão permanece sob análise pública, dada a relevância do ministro do STF e o impacto que essas informações podem ter na percepção da independência e imparcialidade das instituições judiciais.