Os Estados Unidos, por meio do Comando Central (Centcom), anunciaram neste sábado (19) que, nos últimos meses, mais de um bilhão de barris de petróleo bruto passaram pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de energia. Segundo o comandante Brad Cooper, a quantidade de carga, incluindo petróleo bruto, gás natural liquefeito e outros produtos, que atravessou a passagem nas últimas duas semanas foi a maior registrada nos últimos seis meses, indicando uma intensificação no fluxo de embarcações pela região.
O Centcom destacou que, ao longo desse período, mais de 2 mil navios comerciais cruzaram o estreito sob proteção coordenada das forças militares americanas e de parceiros regionais. Essa operação de proteção é parte de uma estratégia mais ampla de garantir a continuidade do transporte marítimo de energia, especialmente em um contexto de tensões crescentes na região. O órgão também afirmou que o Irã não realizou exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz durante esse período, atribuindo essa ausência ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que reforça a atual disputa geopolítica envolvendo os dois países.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã, que se refletem na preocupação global com o abastecimento de petróleo. No dia 14 de outubro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o fluxo de petróleo pelo estreito estava sendo retomado e afirmou que outros países deveriam reembolsar os Estados Unidos pelos custos associados às ações militares e de proteção na região. Essa fala reforça a postura de Washington de responsabilizar outros países pelas despesas decorrentes da manutenção da segurança marítima no Golfo Pérsico.
Além do esforço de proteção às embarcações, os Estados Unidos têm trabalhado com os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) — Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrain e Omã — para ampliar o fluxo de navios na rota. Entre as ações citadas pelo Centcom estão o fortalecimento das defesas aéreas dos países do Golfo e a formação de uma nova coalizão de unidades de drones de ataque, visando aumentar a capacidade de resposta a possíveis ameaças na região.
O Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, é uma das principais passagens para o transporte global de petróleo, respondendo por uma parcela significativa do petróleo mundial que é movimentada por mar. Sua importância estratégica faz dele um ponto sensível nas disputas de poder na região, onde tensões entre os Estados Unidos e o Irã frequentemente elevam o risco de interrupções no abastecimento global. O aumento recente no volume de petróleo transitando pelo estreito sinaliza uma possível retomada das operações comerciais, embora as tensões geopolíticas continuem a influenciar o cenário de segurança marítima na área.