O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi flagrado desembarcando de um jatinho que, oficialmente, pertence a uma empresa do banqueiro e proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. A ocorrência teria acontecido no dia 22 de agosto de 2025, conforme registro feito pelo canal Aviation TV. A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, foi identificada como pertencente à empresa de Vorcaro, embora Moraes tenha declarado anteriormente, por meio de nota oficial, que nunca havia utilizado um avião de propriedade ou pertencente ao banqueiro.
A revelação dessa movimentação aérea ocorre em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), que apontam possíveis ligações entre o ministro e o banqueiro. Segundo as apurações, meses antes do voo, o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, firmou um contrato de aproximadamente R$ 50 milhões com uma empresa ligada a Vorcaro. Este contrato tinha como objeto a prestação de serviços advocatícios e honorários jurídicos. Parte do pagamento, de acordo com as investigações, teria sido efetuada por meio de cotas de um jato e de um helicóptero, levantando suspeitas sobre possíveis facilidades ou benefícios relacionados às movimentações aéreas do ministro.
Além das questões contratuais, o caso envolve também o âmbito das investigações sobre o Banco Master e suas operações. O ministro André Mendonça, relator do caso conhecido como “Master” no STF, determinou, em 1º de setembro, a suspensão do sigilo sobre um relatório parcial da Operação Compliance Zero. Este relatório revelou que Vorcaro enviou ao ministro Moraes 52 mensagens de texto, incluindo uma em que o banqueiro demonstra preocupação com operações iminentes da Polícia Federal. Numa das mensagens, Vorcaro questiona Moraes se “não podemos reverter isso com Paulo e Andrei”, indicando uma possível tentativa de influência ou interferência na condução das investigações.
Os nomes citados nas mensagens incluem Paulo Gonet, diretor-geral da Polícia Federal, e Andrei Rodrigues, também mencionado no relatório e considerado uma figura de destaque na PF. Gonet também aparece em conversas com o advogado Ciro Soares, relacionadas às atividades de Vorcaro. Em função dessas menções, o Conselho Superior do Ministério Público Federal agendou uma reunião para o dia 25 de setembro, a fim de avaliar se a menção ao nome de Gonet compromete sua imparcialidade na condução do caso que envolve Vorcaro e o Banco Master.
Essas revelações reforçam o clima de complexidade e suspeitas envolvendo as investigações, que continuam em andamento. As investigações da Polícia Federal buscam esclarecer possíveis favorecimentos, influências indevidas e o grau de envolvimento de autoridades e empresários nas operações financeiras e jurídicas relacionadas ao Banco Master e às atividades do ministro Moraes. O caso ainda está em fase de apuração, com diversas frentes de investigação abertas para entender o alcance das relações entre os envolvidos e possíveis implicações legais.