O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a manifestar sua postura de enfrentamento ao Canadá nesta quarta-feira, ao defender a implementação de tarifas comerciais como estratégia para estimular a volta de fábricas e empregos industriais ao território norte-americano. Em declarações feitas a repórteres, Trump afirmou que as tarifas seriam uma ferramenta para corrigir desequilíbrios comerciais históricos com o país vizinho, que, segundo ele, teria se beneficiado de brechas ao longo de décadas, prejudicando a indústria automotiva dos EUA.
De acordo com o presidente, o Canadá teria retirado aproximadamente 20% da produção de veículos dos Estados Unidos, uma fatia significativa do setor automotivo que, na visão de Trump, poderia ser recuperada por meio de tarifas. Ele argumenta que essas medidas tarifárias desestimulariam a montagem de veículos em solo canadense, incentivando a fabricação dentro do território americano. Trump destacou que sua intenção não é transformar a relação bilateral em uma disputa direta contra o Canadá, mas sim corrigir assimetrias comerciais que, na sua avaliação, prejudicam os interesses econômicos dos Estados Unidos. Ele afirmou: “Não temos nada contra o Canadá, mas não queremos que carros sejam feitos lá.”
O líder americano também declarou que, ao aplicar tarifas, Washington poderia reduzir sua dependência de importações do Canadá, ressaltando que os Estados Unidos possuem recursos abundantes de petróleo, gás natural e madeira, que poderiam suprir suas demandas internas. Essa postura ocorre em um momento de tensões comerciais, uma vez que as autoridades canadenses têm retaliado as tarifas impostas pelos EUA, além de algumas províncias, como Ontário, ameaçarem cortar o fornecimento de energia, madeira e minérios considerados estratégicos para os americanos.
Trump também criticou a suposta falta de reciprocidade nas regulações e nas condições financeiras entre os dois países. Ele afirmou que empresas canadenses operam com ampla liberdade no mercado americano, enquanto companhias americanas enfrentam obstáculos ao tentar atuar no Canadá. Como exemplo, citou a fabricante de aeronaves Bombardier, alegando que a empresa teria sido transformada em uma concorrente dos EUA, apesar de, segundo ele, o mercado americano permanecer aberto a empresas estrangeiras. Além disso, criticou a política canadense no setor financeiro, alegando que o país restringe a entrada de bancos dos Estados Unidos.
Na mesma linha de discurso nacionalista, Trump mencionou mudanças em nomes geográficos, alegando que tais ações refletem uma luta pela soberania americana. Citou, por exemplo, alterações envolvendo o Lago Ontário e o Golfo do México, como exemplos de sua postura de defesa dos interesses nacionais. Ainda sobre a competição internacional por investimentos, Trump afirmou que a economia canadense se beneficiaria de incentivos fiscais, defendendo que os Estados Unidos adotem estratégias semelhantes para atrair novamente a indústria do entretenimento e outros setores que, na sua visão, deveriam estar sob controle americano.
Essas declarações reforçam a postura protecionista de Trump, que busca fortalecer a indústria doméstica e diminuir a dependência de recursos e produtos estrangeiros, especialmente do Canadá, em um momento de crescente tensão nas relações comerciais entre os dois países.