As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) tiveram queda na segunda-feira (17), refletindo a avaliação do mercado diante dos dados econômicos divulgados na manhã daquele dia, especialmente o índice de atividade econômica IBC-Br, que serve como indicador do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O movimento ocorreu após uma semana marcada por altas nas taxas, consolidando um dia de ajustes na curva de juros futuros.
Ao final do pregão, a taxa do DI para janeiro de 2028 foi fixada em 13,99%, em queda em relação ao ajuste de 14,035% registrado na sessão anterior. Na ponta mais longa da curva de juros, o contrato para janeiro de 2035 fechou em 14,745%, ligeiramente abaixo do ajuste de 14,749% do dia anterior. Essas oscilações indicam uma percepção de menor risco ou de maior expectativa de cortes na taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central.
Os dados do IBC-Br, divulgados pelo Banco Central na manhã de segunda-feira, apontaram uma expansão de 0,2% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, mesmo após uma retração de 0,6% em junho, na comparação com o mês anterior, ambos números dessazonalizados. Esses resultados reforçam a percepção de uma recuperação moderada da economia brasileira, embora ainda haja desafios no curto prazo, com a expectativa de que o crescimento seja mais lento do que o inicialmente previsto.
Segundo analistas, a leitura do índice indica que o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda possui espaço para realizar cortes adicionais na taxa Selic, além dos já precificados pelo mercado. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, destacou que a melhora nos dados econômicos reforça essa possibilidade, contribuindo para um ambiente de maior acomodação monetária.
A pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central antes da abertura do mercado nesta segunda-feira, trouxe revisões nas projeções para o cenário econômico de 2027. Os analistas ajustaram suas expectativas para uma inflação maior e um crescimento mais lento, refletindo uma postura mais cautelosa diante das perspectivas de avanço da economia brasileira. A projeção para o IPCA no próximo ano subiu de 4,22% para 4,24%, enquanto a estimativa de crescimento do PIB em 2027 também foi ajustada para baixo. Para 2023, a expectativa de inflação permaneceu em 5,02%, embora a previsão de aumento dos preços administrados tenha sido reduzida de 4,91% para 4,70%.
O levantamento indicou ainda que a expectativa de manutenção da taxa Selic ao redor de 13,75% até o final do ano sugere que o mercado acredita em apenas mais um corte na política de juros, após uma trajetória de ajustes iniciada em 2022. Essa perspectiva é reforçada pelas declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que, em uma conferência promovida pelo Santander, afirmou que o atual ciclo de alta de juros no Brasil é mais influenciado por fatores internos do que por questões globais. Ele destacou que a demanda doméstica vem crescendo mais rápido que a oferta, e que o BC atua para manter os juros em patamar contracionista, buscando equilibrar esses fatores.
No cenário político, a atenção do mercado também se voltou para o início oficial da campanha eleitoral, com os candidatos apresentando suas propostas e novas pesquisas de intenção de voto. No domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou sua campanha à reeleição, enfrentando o desafio de conquistar uma nova geração de eleitores, especialmente trabalhadores com pouca ligação aos sindicatos e ao chão de fábrica, que historicamente apoiaram o PT. Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro, também candidato à presidência, prometeu um “tesouraço” nas contas públicas e melhorias na segurança e na geração de empregos, durante seu primeiro comício oficial.
Uma pesquisa divulgada pelo BTG/Nexus nesta segunda-feira revelou que Lula e Flávio Bolsonaro continuam tecnicamente empatados nas intenções de voto para um eventual segundo turno, embora o presidente ainda esteja numericamente à frente do senador. Esses dados reforçam a expectativa de uma disputa acirrada nas próximas semanas, com o mercado atento às movimentações políticas e às possíveis implicações para o cenário econômico do país.