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Conselho Brasileiro de Oftalmologia divulga recomendações para rotina de consultas oftalmológicas e prevenção de doenças visuais

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou nesta quinta-feira, 10 de outubro, um documento que orienta sobre a frequência ideal de consultas oftalmológicas para diferentes faixas etárias e condições de saúde, reforçando a importância do acompanhamento periódico para a manutenção da saúde ocular. A publicação foi apresentada durante o 70º Congresso da especialidade, realizado até sábado, 12 de outubro, em Salvador, e destaca que a realização de exames regulares é fundamental tanto para a detecção precoce de doenças quanto para a prevenção de perdas visuais irreversíveis.

De acordo com o documento, a periodicidade das consultas deve variar conforme a faixa etária, presença de fatores de risco ou condições clínicas específicas. Para indivíduos sem diagnóstico de doenças oculares ou fatores de risco, o conselho recomenda intervalos mínimos de acompanhamento, que podem ser ajustados pelo oftalmologista conforme avaliação individual. Em casos de doenças crônicas, histórico familiar ou exposições específicas, o acompanhamento deve ser mais frequente, sempre sob orientação médica. O documento reforça que a decisão sobre a frequência das consultas é de responsabilidade do oftalmologista, que deve definir os intervalos mais adequados para cada paciente.

O texto também enfatiza a necessidade de que as consultas e exames sejam realizados em ambientes adequados, atendendo às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo consultórios, postos de saúde e hospitais equipados com infraestrutura adequada, equipamentos modernos e condições sanitárias compatíveis. Além disso, o documento reforça que o acompanhamento oftalmológico deve começar ainda na maternidade, com a realização do teste do reflexo vermelho no berçário. Este exame permite a detecção de condições congênitas, como catarata, glaucoma, opacidades de córnea, tumores intraoculares, inflamações e hemorragias intravítreas, possibilitando intervenções precoces.

Nos primeiros anos de vida, a rotina de cuidados deve incluir a avaliação do desenvolvimento visual, fixação e alinhamento ocular, aspectos essenciais para o bom funcionamento visual ao longo da vida. O documento destaca que erros de refração não corrigidos representam a principal causa de deficiência visual entre as crianças brasileiras, afetando seu desempenho escolar e socialização. A ambliopia, popularmente conhecida como olho preguiçoso, pode ser prevenida por meio de exames oftalmológicos realizados até os três anos de idade. Dados internacionais indicam que cerca de 40% das crianças cegas poderiam evitar essa condição se tivessem acesso a um oftalmologista no momento adequado.

A maior parte das causas de cegueira e deficiência visual no Brasil, como catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular, são evitáveis ou tratáveis, desde que identificadas precocemente. Segundo o CBO, a maioria dos casos de baixa visão no mundo é reversível, especialmente aqueles relacionados a catarata e erros refracionais, como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. No Brasil, estima-se que aproximadamente 1,5 milhão de pessoas estejam cegas, uma quantidade que tende a crescer devido ao envelhecimento populacional, uma vez que as principais causas de cegueira no país afetam predominantemente idosos.

O documento reforça a importância do acompanhamento regular, que deve ser iniciado desde os primeiros meses de vida, como estratégia de prevenção e controle de doenças visuais, contribuindo para a redução do impacto da deficiência visual na qualidade de vida da população.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade