A fabricante de ônibus Marcopolo prevê uma recuperação da demanda no mercado argentino a partir de 2027, impulsionada pela necessidade de renovação da frota de veículos e pela transição do uso de diesel para gás natural. A expectativa foi apresentada pelo presidente executivo da companhia, André Armaganijan, durante uma reunião com investidores realizada nesta quarta-feira (9). Segundo ele, a Argentina, que desde 2018 enfrenta dificuldades em renovar sua frota de ônibus no ritmo adequado, começa a demonstrar sinais de estabilização econômica, o que deve favorecer a retomada do mercado.
Durante o evento, Armaganijan destacou que o mercado argentino gerou uma receita líquida de aproximadamente R$ 875,4 milhões para a Marcopolo em 2025. No entanto, os resultados do primeiro semestre de 2026 indicam uma desaceleração, com vendas que totalizaram R$ 212,1 milhões até o momento. Apesar da retração recente, a expectativa é de que a demanda se recupere em 2027, apoiada pela necessidade de renovação da frota e pela mudança de combustíveis, que torna o gás natural uma alternativa mais viável e sustentável.
Além do mercado argentino, a companhia também enxerga oportunidades de crescimento na América do Norte, especialmente no México. Armaganijan afirmou que o país apresenta potencial para a renovação de frotas, embora o cenário seja influenciado por dúvidas e incertezas relacionadas às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Essa situação, segundo o executivo, cria um ambiente de maior cautela, mas também abre espaço para investimentos no setor de transporte.
A estratégia de expansão da Marcopolo inclui ainda a entrada na Europa, onde a empresa pretende fortalecer sua presença a partir deste mês. A companhia planeja lançar o novo modelo G8 Tec em Madrid, na Espanha, inicialmente nos mercados de Espanha, França, Itália e Portugal. Essa iniciativa ocorre em um momento em que a oferta de carrocerias na Europa sofreu redução significativa, consequência do fechamento de fábricas de fabricantes chineses e europeus, devido à forte concorrência no setor. Armaganijan explicou que essa redução na oferta criou uma janela de oportunidade considerável para a marca brasileira, que busca consolidar sua atuação no continente.
No cenário doméstico, a expectativa da Marcopolo é de que o segmento de ônibus urbanos possa apresentar uma importante oportunidade de crescimento a partir de 2027. Segundo o diretor financeiro, Pablo Motta, a reorganização dos sistemas de transporte público e a realização de novos ciclos de concessões em grandes cidades, como Curitiba e Rio de Janeiro, devem impulsionar a demanda por veículos na categoria. Essa perspectiva reforça o otimismo da companhia em relação ao mercado interno, mesmo diante de desafios econômicos recentes.
No mercado de ações, a ação preferencial da Marcopolo apresentou uma queda de 2,5% nesta quarta-feira, fechando a R$ 4,20. No acumulado do ano, o papel já registra uma desvalorização superior a 20%, refletindo, entre outros fatores, as dificuldades enfrentadas pela empresa no cenário financeiro e de mercado.