Os Correios informaram nesta quarta-feira que suspenderam o contrato de gestão de empréstimos consignados na plataforma Artemis com a empresa Safe Consig, ligada à lobista Roberta Luchsinger. A decisão ocorre em meio às investigações envolvendo a empresária, que é próxima do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A medida visa garantir a transparência e a integridade das operações da estatal, especialmente após revelações de que a gestão anterior já havia solicitado a suspensão do contrato, que foi efetivamente implementada pela atual administração dos Correios.
A Safe Consig desempenhava a função de administrar empréstimos consignados em folha de pagamento para a estatal, uma atividade que envolve a gestão de créditos de servidores e colaboradores da empresa pública. Com a mudança, os Correios assumirão diretamente essa responsabilidade, garantindo maior controle sobre os processos e eliminando possíveis intermediários. Segundo fontes próximas à estatal, os contratos já existentes com os servidores não deverão ser afetados pela transição, mantendo a regularidade dos benefícios para os funcionários.
A decisão dos Correios foi confirmada após reportagens do jornal O Globo e da CNN Brasil, que destacaram o envolvimento de Roberta Luchsinger em investigações conduzidas pela Polícia Federal. As apurações apontam que a lobista teria mantido contatos com integrantes do governo federal, incluindo o próprio gabinete do presidente Lula, conforme mensagens encontradas em seu celular pelos agentes da Polícia Federal. Essas mensagens indicam que Roberta afirmava ter acesso a membros do alto escalão do governo e a pessoas em posições de comando na Esplanada dos Ministérios.
Roberta Luchsinger, que também é diretora da RL Consultoria e Intermediações, foi alvo de mandados de busca e apreensão, além de ter seus bens bloqueados e sua obrigação de usar tornozeleira eletrônica determinada pela Justiça no âmbito da Operação Sem Desconto. Essa operação investiga um esquema de fraudes no INSS, envolvendo possíveis pagamentos ilícitos e corrupção. As investigações indicam que a consultoria de Roberta teria prestado serviços a uma empresa associada a Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, pelo qual teria recebido aproximadamente R$ 1,5 milhão.
As apurações da Polícia Federal sugerem que Roberta Luchsinger pode ter atuado como intermediária para pagamentos destinados a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, embora essa hipótese ainda esteja sob investigação. Em uma das mensagens apreendidas, Roberta relata a um empresário que teria recebido uma oferta de cargo no governo por parte de Lula, oferta que ela teria recusado para dedicar-se à “sociedade” junto de Lulinha, reforçando os vínculos próximos entre a lobista e a família presidencial.
Em nota oficial, os Correios afirmaram que já iniciaram os procedimentos técnicos e jurídicos para a rescisão do contrato com a plataforma Artemis, garantindo uma transição que preserve a continuidade das operações e a segurança das informações. A estatal destacou que notificará formalmente a Safe Consig sobre o encerramento do vínculo, reforçando o compromisso de transparência e responsabilidade na gestão dos serviços relacionados aos empréstimos consignados de seus funcionários.