As ondas de calor que atingiram a Europa neste verão contribuíram para o aumento das pressões inflacionárias na região, além de elevarem o risco de uma crise de abastecimento de combustíveis durante o inverno, conforme alertou o secretário de clima das Nações Unidas, Simon Stiell. Em declaração feita na quinta-feira, 10 de novembro, ele destacou que os eventos climáticos extremos, combinados com a dependência europeia de fontes de energia importadas, podem agravar ainda mais a situação econômica e social do continente nos próximos meses.
Durante sua participação em uma comissão do Parlamento Europeu em Bruxelas, Stiell afirmou que o verão de temperaturas elevadas na União Europeia foi marcado por ondas de calor intensas e incêndios florestais de grande escala. Segundo dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), o mês de agosto foi registrado como o mais quente do mundo até então, empatado com outro mês anterior, reforçando o impacto das mudanças climáticas na região. Esses eventos extremos não apenas afetaram a saúde pública e o meio ambiente, mas também tiveram consequências econômicas expressivas, elevando os custos de energia e agravando a inflação.
O secretário de clima das Nações Unidas destacou que o cenário atual soma-se à crise contínua dos custos dos combustíveis fósseis, que já vinha pressionando os preços para famílias, empresas e governos na Europa. Ele ressaltou que essa combinação de fatores representa um “golpe duplo e mortal” para a economia do continente, especialmente diante da vulnerabilidade decorrente da elevada dependência de importações de combustíveis fósseis, uma característica que há muito tempo é considerada um ponto fraco na estrutura econômica europeia.
Stiell explicou que, neste ano, mais uma vez, cidadãos e setores produtivos foram atingidos por contas de energia mais altas, reflexo do aumento dos preços dos combustíveis fósseis e do impacto das condições climáticas extremas. Além disso, ele alertou que a Europa enfrenta uma iminente crise de abastecimento de combustíveis no inverno, devido à sua dependência de fontes importadas, que podem se tornar escassas ou mais caras diante das tensões globais e do aumento da demanda por energia.
A preocupação de órgãos internacionais reforça a necessidade de políticas que promovam a diversificação de fontes energéticas e estratégias de adaptação às mudanças climáticas, visando mitigar os efeitos das ondas de calor e evitar que a crise econômica se agrave durante os meses mais frios. A situação evidencia ainda a urgência de ações coordenadas para reduzir a vulnerabilidade do continente diante de eventos climáticos extremos e da volatilidade do mercado de energia, que podem impactar significativamente a estabilidade social e econômica na Europa.