A cidade de Belo Horizonte deu início à sua trajetória cinematográfica em 1906, apenas nove anos após sua fundação. Esse marco deu início a uma profunda conexão entre a cidade e a sétima arte. Com o tempo, várias salas de cinema começaram a enriquecer a vida cultural dos belohorizontinos. Entre os cinemas mais notáveis estão o Odeon, que ocupou o espaço do antigo Teatro Paris, além do Glória, Metrópole, Pathé e Cine Brasil. Cada uma dessas salas não apenas fomentou a prática de ir ao cinema, mas também atraiu diversas gerações de espectadores.
Entretanto, com o avanço da especulação imobiliária, muitos destes cinemas foram substituídos por novos empreendimentos, resultando no desaparecimento de várias dessas instituições da paisagem urbana, permanecendo apenas na memória dos habitantes de Belo Horizonte.
O Cine Odeon, inaugurado em 1906 como Teatro Paris, passou a ser conhecido pelo nome que o tornou famoso em 1912. Este espaço se tornou um dos ícones arquitetônicos da cidade, localizado na Rua da Bahia, nº 860, nas proximidades da Avenida Afonso Pena. Desde seus primórdios, o Odeon se firmou como um importante centro cultural. Além das exibições cinematográficas, abrigava no segundo andar a sede social do Clube Belo Horizonte, o que aumentava sua movimentação e reforçava seu papel como um ponto de encontro. O local era famoso por suas matinês animadas, sessões com orquestras ao vivo, cinejornais e faroestes, tornando-se um dos principais espaços de convivência da cidade.
Quando o Odeon fechou suas portas em 1928, a cidade sentiu uma grande tristeza. O poeta Carlos Drummond de Andrade expressou esse lamento em seu poema “O Fim das Coisas”, onde lamentou não apenas o fechamento do cinema, mas também a perda simbólica de uma parte de sua juventude. Assim, o encerramento das atividades do Odeon representou mais do que a simples extinção de uma sala de exibição; foi o fim de uma era cultural marcante para Belo Horizonte.
Apesar do desaparecimento de muitos cinemas, suas histórias ainda ecoam. Eles deixaram um legado cultural, formaram públicos e contribuíram para o florescimento da vida artística na capital mineira. Mesmo que agora existam apenas em lembranças, esses cinemas continuam a ocupar um lugar significativo na identidade de Belo Horizonte.