A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou uma reformulação em seu gabinete, reafirmando a intenção de acelerar as políticas voltadas ao crescimento econômico do país. Em uma cerimônia de composição ministerial, ela manteve seus principais ministros, incluindo o aliado reflacionista Minoru Kiuchi, nomeado como ministro da Economia, sinalizando sua determinação em avançar com os ambiciosos planos de aumento de gastos públicos. Essa estratégia ocorre em um contexto de controvérsia, devido à elevada dívida pública japonesa, uma das maiores do mundo, que suscita preocupações sobre a sustentabilidade fiscal do país.
Takaichi destacou que seu novo governo buscará ampliar o potencial de crescimento econômico do Japão por meio do estímulo ao investimento, aumento dos lucros corporativos e elevação da renda familiar, fatores considerados essenciais para ampliar a arrecadação de impostos. Em coletiva de imprensa, ela afirmou: “Sem crescimento econômico, não podemos manter a sustentabilidade fiscal” e reforçou que “agora é o momento de acelerar os esforços para implementar nossa política fiscal responsável e proativa”. A líder descartou preocupações sobre a viabilidade de financiar seu plano de redução de impostos, alegando possuir “um caminho claro” para garantir os recursos necessários, sem depender de emissão de títulos para cobrir o déficit.
Na nova configuração ministerial, Kiuchi terá a missão de aprimorar o diálogo com os mercados financeiros e detalhar a estratégia de crescimento do governo, buscando tranquilizar os investidores quanto às políticas adotadas. Após sua recondução, Kiuchi afirmou que “não vamos nos envolver em uma expansão fiscal desenfreada” e que trabalhará para dissipar qualquer preocupação do mercado. Além dele, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, também foi mantida no cargo, reforçando a continuidade da política fiscal. Katayama, ex-burocrata do Ministério das Finanças, é considerada uma figura conservadora na condução de questões fiscais e desempenhou papel importante nas negociações com o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em uma intervenção conjunta do Japão e Estados Unidos no mercado cambial do iene, ocorrida no final de julho.
A permanência de Katayama no ministério é vista como uma medida para garantir estabilidade e continuidade na política cambial, especialmente em um momento em que o rendimento do título de referência do governo japonês, com vencimento em 10 anos, atingiu o maior nível em três décadas. Essa elevação reflete a preocupação do mercado com os planos de aumento de gastos do governo, que podem elevar a emissão de dívida pública, atualmente a maior entre as nações desenvolvidas, e comprometer a estabilidade financeira do país.
A reformulação ministerial também teve como objetivo ampliar a participação do Partido da Inovação do Japão, parceiro de coligação do Partido Liberal Democrático (PLD) de Takaichi, na formulação de políticas, incluindo a nomeação de Hiroshi Nakatsuka como ministro encarregado da reforma regulatória. De um total de 18 cargos ministeriais, oito foram ocupados por membros já em exercício, entre eles o ministro do Comércio, Ryosei Akazawa, responsável pelas negociações comerciais com os Estados Unidos.
Apesar do otimismo, o cenário econômico permanece delicado. A perspectiva de aumento dos gastos públicos e a elevação das taxas de juros pelo Banco do Japão, que deverá elevar sua taxa básica em 25 pontos-base para 1,25% na próxima sexta-feira, elevam o custo de financiamento da dívida. A preocupação do mercado é que essas medidas possam pressionar ainda mais as taxas de juros de longo prazo, dificultando a estabilidade financeira do país. Takaichi afirmou esperar que o Banco do Japão implemente uma política monetária adequada às condições econômicas, de preços e financeiras, com o objetivo de atingir a meta de inflação de 2%.