Impedidos de realizar apresentações, lançar novas músicas e até de acessar seu próprio canal no YouTube, George Henrique & Rodrigo revelam, em uma entrevista exclusiva ao portal LeoDias, que a agência Worldshow está retaliando-os após o término da parceria. A dupla alega que o caminhão utilizado em suas turnês foi adquirido com recursos do projeto, mas registrado em nome da empresa, e que a agência ainda registrou um boletim de ocorrência acusando os artistas de “furto” do veículo. Além disso, eles denunciam o “sequestro” de seu canal digital, bloqueios em negociações com contratantes e sabotagens em oportunidades profissionais, como uma participação em eventos de Gusttavo Lima.
Os artistas explicam a situação do caminhão que a Worldshow considera “roubado”: “O caminhão foi adquirido em 2023 com os fundos do projeto George Henrique & Rodrigo, diretamente da conta gerida pela Worldshow para todas as operações do nosso trabalho, conforme demonstram os relatórios financeiros e comprovantes que eles mesmos enviaram. De acordo com o contrato e os princípios éticos, tudo que é adquirido através do projeto pertence aos sócios, nas proporções definidas. É ilegal e antiético apropriar-se desses bens. No entanto, a Worldshow fez o registro do caminhão em seu nome, um bem que deveria ser compartilhado. Para piorar, eles mentiram em juízo ao afirmar que só fazíamos aluguel do caminhão deles. E, posteriormente, tomaram a absurda atitude de ir a uma delegacia em São Paulo e registrar um boletim de ocorrência por furto, alegando que roubamos nosso próprio caminhão, que sustenta não apenas a nós, mas também 28 famílias que dependem do nosso trabalho.”
Eles também apresentam provas do “sequestro” do canal no YouTube: “Temos evidências concretas: e-mails do Google Workspace que mostram a perda de acesso, além de mensagens de recuperação que foram direcionadas à Worldshow. Temos também prints de conversas entre os sócios e o advogado da Worldshow afirmando que ‘a dupla procurou isso’, demonstrando uma clara intenção de vingança e afirmando que só conversariam na justiça, mesmo após tentativas de contato pelo nosso advogado, Douglas Moura.”
Os irmãos relatam que muitas de suas sugestões foram ignoradas ou ativamente frustradas pela Worldshow: “Somos bem reconhecidos no meio musical por manter um bom relacionamento com todos os colegas e empresas, pois nunca criamos inimizades e sempre nos comportamos de maneira cordial. Um dos relacionamentos que mais valorizamos é com o cantor Gusttavo Lima. Quando a música ‘Vai Lá em Casa Hoje’ fez sucesso, recorremos à nossa amizade para pedir que ele nos incluísse em seus eventos, o ‘Buteco do GL’, pois isso nos ajudaria significativamente a nos posicionar no mercado”, lembram.
“O Gusttavo prontamente concordou, pediu que nossos empresários entrassem em contato com a equipe comercial dele para ajustar os detalhes. Por ser uma oportunidade valiosa e uma demonstração de grande amizade, pedimos ao nosso então empresário Rodrigo Barbosa que falasse com o comercial do Gusttavo e não cobrasse cachê, apenas cobrindo os custos da equipe, já que participar desses eventos seria crucial para nossa divulgação e posicionamento no mercado, especialmente impactando a venda de shows. Após semanas de espera, perguntei ao Gusttavo se algo estava errado, e ele nos respondeu que, infelizmente, não deu certo porque, segundo ele, ‘seus empresários pediram muito’… e assim perdemos mais uma chance.”
A dupla enfatiza que a decisão de interromper suas apresentações não foi deles: “Nunca decidimos parar de lançar músicas ou fazer shows. Estamos sendo forçados a interromper nosso trabalho, comprometendo o sustento de nossas famílias e de outras 28 que dependem de nós, devido às manobras desleais que a Worldshow está arquitetando contra nós na justiça e no mercado, que até agora não estavam cientes do que está acontecendo. Claramente, eles contam com o fato de que, por serem ações complexas, a justiça tende a demorar a se posicionar, e estão explorando esse tempo para nos prejudicar ao máximo, movidos por pura vingança por termos deixado o escritório.”
“Como podemos lançar novas músicas se não temos acesso ao YouTube, uma vez que sequestraram nosso canal e nos retiraram o acesso à nossa própria plataforma e ferramenta de trabalho? Como vamos trabalhar em um novo projeto, que envolve altos custos, se não recebemos nossa parte dos royalties? Como viveremos de shows se eles estão, às escondidas, enviando mensagens aos contratantes para convencê-los a não nos contratar e tentando sabotar nossas vendas? Como faremos apresentações com um caminhão que está sob busca e apreensão devido a um boletim de ocorrência calunioso de furto registrado por eles, como se fosse propriedade da Worldshow, arriscando perder todo nosso equipamento e descumprir compromissos que sempre honramos?”, lamentam.
George Henrique & Rodrigo afirmam que estão trazendo à tona essa situação para servir de alerta a outros artistas: “Esperamos que esses acontecimentos sirvam de aviso, especialmente para os novos artistas, para que fiquem atentos sobre a gestão de suas carreiras. Não deixem tudo nas mãos de terceiros, não hesitem em buscar ajuda ou informações… Não somos os primeiros e não seremos os últimos a passar por isso. Muitas pessoas se aproveitam da boa fé e da simplicidade de artistas em início de carreira, que, sonhadores e determinados, aceitam qualquer proposta por atenção e pelo desejo de se tornarem artistas reconhecidos. É nesse momento que aproveitadores os envolvem em contratos abusivos e, depois, até o próprio nome se torna propriedade de outros.”
Outro objetivo é esclarecer a ausência nos palcos e na mídia: “O segundo propósito é explicar ao nosso público e ao mercado por que estamos há tanto tempo sem lançamentos ou aparições na mídia, o que nos prejudica enormemente. Queremos que as pessoas entendam que essa não é uma decisão nossa; estamos sendo ‘bloqueados’ e sabotados por aqueles que deveriam manter a ética e o profissionalismo, mas que agem como lobos em pele de cordeiro.”
Procurada para comentar, a Worldshow, através de uma nota enviada pelo advogado Dr. Caio Mariano, respondeu: “A Worldshow tem mais de 30 anos de experiência na gestão artística e empresariamento, gozando de grande prestígio no mercado. A empresa nunca teve problemas com nenhum dos artistas que representa ou representou até agora. A Worldshow é responsável pela gestão da carreira da dupla Bruno & Marrone e informa que a dupla ou qualquer outro artista em seu casting não exerce qualquer controle sobre a carreira de George Henrique & Rodrigo. Nos últimos dez anos, a Worldshow fez investimentos significativos na criação e desenvolvimento da carreira da dupla George Henrique & Rodrigo, elevando-os a um novo nível no mercado. Apesar da parceria em vigor, os artistas estão descumprindo os contratos firmados com a Worldshow, adotando medidas para impedir que a empresa continue a gerir suas carreiras e esquivando-se de suas obrigações contratuais. Atualmente, o assunto está sendo tratado na justiça, onde a empresa busca reparação por todos os danos e prejuízos causados pelos artistas e terceiros.”